Até ontem mesmo eu estava péssima por causa do trabalho. Chorei, discuti com algumas pessoas, perdi o sono, deixei de sair com meu namorado porque estava chateada.
Hoje, à s 5 da tarde, minha irmã ligou dizendo que meu pai estava na UTI do INCOR (Instituto do Coração aqui de São Paulo). Desliguei o telefone, juntei as coisas e saà correndo. Larguei tudo do jeito que estava sem pensar duas vezes e sem dar a mÃnima para a situação em volta de mim.Â
Em questão de 15 segundos, que foi o tempo da ligação, o stress profissional perdeu a importância na minha vida. De um “problema” que tirou meu sono, de repente ele virou uma mera futilidade cotidiana.
Infelizmente, não é a primeira vez que isto acontece com meu pai. E infelizmente também, estes recados que a vida manda nunca são suficientes para mostrar o quanto a gente se preocupa com coisas idiotas.
Eu poderia ficar dois dias aqui falando sobre o que realmente importa nesta vida e não adiantaria nada para quem está puto com algum amigo ou com a profissão. Da mesma forma, quando o dia de hoje se ver longe de mim, eu também vou esquecer, mais uma vez, do real significado das coisas.
A massacrante maioria das pessoas, assim como eu, precisa doer para sentir o valor das coisas. Ao mesmo tempo, parece que a Dona Dor é uma péssima professora, porque nenhuma lição é o bastante para que a gente realmente aprenda, nem serve de exemplo para outros alunos.
Se Deus fez o homem conforme sua imagem e semelhança, ele deve ser um cara masoquista.








