Em algum lugar do Universo OU região deve existir uma Lei Fundamental da Tecnologia Empresarial que diz o seguinte: “Todo computador de uma Multinacional será piorzinho, pior, muito pior ou infinitamente pior do que o equipamento que você tem em casa”.
Fato: em mais de 20 anos de trabalho, eu NUNCA peguei um computador de multinacional funcionando direito. Talvez por eu ser redatora, atividade fadada a receber sempre as piores máquinas do mundo porque, afinal de contas, até o Bloco de Notas dá conta de juntar letrinhas.
Não sei se eu sou exceção, mas comigo é realmente frustrante. Geralmente, só para dar um pouco mais de raiva, a Ferrari do meu lado tira café expresso e pão-de-queijo recheado, enquanto meu Fiat 147 sofre feito um estuprado para abrir um Excell. Detalhe: o máximo de processamento que o figurão do meu lado vai usar é para abrir um PPT do Dalai Lama com mensagens positivas em formato de pirâmide.
Não sei onde a galera do setor financeiro anda com a cabeça, mas tenho a nítida impressão de os bons computadores ainda são considerados “luxo” em muitos escritórios. Pessoal: ACORDA AÍ! O trabalho que eu demoro quase 3 horas para fazer nestas empresas, eu faço aqui em casa em 1 hora ou menos. E se tem uma coisa hoje em dia que não é luxo, isto chama-se TEMPO.
E as equipes de TI então? Para que investir em experiência, certo? Vamos pagar uma merreca pra esta molecada que precisa aprender. Dois? Nahhhhh, bobagem! Um só tá bom. O cara se vira. Ele só precisa instalar programas, não é mesmo? E aquele outro da Rede também não precisa ser Senior, viu? É só ler o manual, ó! Eu mesmo instalei minha Uáiêrrléss em casa.
E depois de se lascar para aprender as coisas no desespero, sem ninguém mais experiente para ajudar, estes coitados saem da empresa (lógico, certo eles) e vão procurar um lugar que pague melhor, ou que pelo menos ofereça um plano de carreira decente. E quem entra no lugar deles? Equipe Newbies Abandonados # 2 - O Retorno das Cagadas Experimentalistas.
Isto até não seria tão chato, caso você tivesse o privilégio de controlar seu computador. Mas não. A regra é sempre igual para todos, independentemente de prática reconhecida: CHAME O ADMINISTRADOR DA MÁQUINA. E o coitado do administrador lá correndo, ajudando o povo que não sabe configurar a impressora, enquanto você poderia resolver seu problema de browser sozinha, sem stress e sem perder seu prazo.
Quer saber do pior? As pessoas XINGAM estes caras. Enquanto deveriam estar xingando os irresponsáveis pelo departamento financeiro que: 1. NEGAM ao povo de TI um salário decente - 2. NEGAM a necessidade de contratar mais gente para suporte - 3. NEGAM a necessidade de um cara experiente para orientar a molecada - 4. NEGAM a importância de computadores que funcionem direito - 5. NEGAM-SE a acreditar que a equipe de suporte é tão importante quanto aquela merda de relatório que eles enviam para a matriz todos os meses, só para mostrar o quanto eles são econômicos e espertos.
E a matriz? É lá em Nova Iorque. They don´t care. Just show them the money.
PS.: Graças a Alah, hoje eu não trabalho mais em Multinacional.
























Oi!
Realmente bom o texto, e concordo em TODOS os pontos (povo q sabe escrever é outra história né?).
Quanto à hierarquia de máquinas, realmente você está certa. Seu trabalho em uma agencia, é teoricamente o que menos demanda máquina.
Então você acaba ficando no fim da roda, que gira a cada nova compra de máquina - pense que máquina velha é um problema, pois o descarte é altamente deficitário e descompensador, e isso faz a gente ter de aumentar a vida útil das máquinas, aumentando a tal roda.
Uma máquina do trabalho, bem como o link de internet dificilmente serão iguais ou melhores que o de nossas casas: hoje a banda larga está mais popular, mas a internet de velocidade e precisão (necessárias para uma empresa) ainda estão muito caras.
Uma coisa é ter um speedy só prá você, outra é compartilhar um link caro para 50, 60 heavy-users.
Usuários, salvo excessões de necessidades, não devem ser administradores de suas máquinas, pelo simples fato de que isso torna o ambiente de trabalho mais seguro, e mantém a integridade das máquinas (aqui incluo o problema de pirataria, inclusive).
Por outro lado, se isso gera menos mão de obra de suporte da TI, acaba gerando mais mão de obra para instalações e demais solicitações desta natureza. Esta conta acaba empatando.
E finalmente, a galera de TI, onde me enquadro.
Meu msn esta semana inclusive fala sobre isso:
- TI é simples: quer qualidade? Basta investir. Não tem mágica (alias, vou fazer um post sobre isso).
O problema é o seguinte: máquina, licença, banda de rede, profissional de TI, nada disso traz cliente ou gera lucro direto. Então infelizmente as empresas vêem TI como gasto, não investimento.
Elas não se importam em pagar R$25 mil a um diretor de arte, mas acham um absurdo pagarem R$8mil em um servidor de backup para proteger a integridade do trabalho deste profissional.
Os “gastos” em uma empresa como a minha (gastos que aumentaram bastante desde que entrei, graças a muito trabalho e negociação, mas isso falo já), giram em torno de R$7mil/mês.
Aí inclusos parcelamento de servidores que compramos, link de internet, gasto com impressora, parcelamento de máquinas pros usuários, salário do meu estagiario, e todo o tipo de serviço relacionado a tecnologia na empresa.
Ou seja: R$7mil/mes em uma empresa com 50 pessoas, e pelo menos uns 12 profissionais ganham mais do que todo este orçamento de TI.
Isso porque hoje estamos em um cenário bem melhor. Quando comecei, estes “gastos” não passavam de R$2500,00/mês.
Muito desta visão de gasto/investimento, é culpa do proprio profissional de TI que as vezes até é bom tecnicamente, mas não tem a menor capacidade de planejamento e negociação, ficando sempre “dando um jeitinho” prás coisas funcionarem.
E muito dos salarios baixos está na demanda: todo mundo acha que sabe fazer suporte, e topa fazê-lo por qualquer moeda.
Isso mexe com a credibilidade e a rentabilidade de quem está no ramo.
Nos resta então ir catequizando nossos empregadores, mostrando beneficio de se investir em tecnologia, e evitar ao máximo “dar jeitinho”, porque não tem nada mais maléfico prá empresa do que “jeitinho”.
Abraço!
Oi, André!
Muito bom você que é da área explicar estas coisas. Principalmente porque a sua visão de profissional dentro do furacão é muito mais confiável. A minha visão, assim como disse no post, é só uma impressão. Afinal de contas eu sou a famosa “usuária final”.
Pelo menos parece que a minha visão tava certa: Quer qualidade, fio? Coloca grana nesta merda!
Você, por exemplo, se hoje tem um estagiário competente, é por sorte (na boa). Não acho fácil encontrar este perfil na sua área. Tô errada? É mais uma impressão que eu tenho. Mas mesmo que ele seja ótimo, ele ainda esbarra neste monte de “Fankstein” que acaba se formando por conta da reciclagem. Ele está sozinho e, pra completar, nada é tão fácil como deveria ser.
Quanto ao papo de administração das máquinas, concordo com o lance da segurança mas também acredito no bom-senso. Nunca entrei em uma empresa com liberdade total na máquina, mas em todas elas (tirando multinacionais) “conquistei”, digamos assim, o direito de resolver problemas básicos no meu computador e até mesmo o direito de baixar o que eu preciso usar (porque, inclusive, faz parte do meu trabalho testar alguns programas).
Nas multinacionais isto complica, porque é gente demais e o pessoal perde o controle. Mesmo assim, existem vários níveis de permissão e acho que muitas vezes falta o tal do bom-senso. Quer um exemplo? No meu antigo emprego eu não conseguia nem mudar o horário da minha máquina. A impressora X quebrava, eu não conseguia direcionar pra outra. Dá um tempo, né? Não permitir que eu instale programas é segurança. Não deixar que eu resolva um simples problema de impressão já é ridículo.
E eu pedi, juro. Mas não podia. Não existe espaço para bom-senso em ambientes grandes? Nem um documento que você assina dizendo que “se eu fizer cagada como administradora da minha máquina, vou responder por ela, podendo até pagar prejuízos em dinheiro dependendo do tamanho da coisa…” A gente assina tantos termos de contrato quando entra na empresa… Porque não este? Porque não existir um termo de contrato bem rígido para quem pede pra ser administrador? Hoje todas as redes podem ter controle do que os usuários estão fazendo.
Enfim… Como eu disse, prefiro trabalhar em lugares melhores onde o bom-senso ainda vale. Assim a coisa anda, sabe?
Beijos! Tô louca pra ver seu post. :]
Nick Nicks
Comentário por André Lembo |