postado por Nick Nicks

“O povo brasileiro é acomodado”, “O povo brasileiro é ignorante por opção”, “O povo brasileiro não se interessa por conhecimento”, “Não tenho paciência com gente burra”.

Acomodação? O que existe de acomodação em acordar as 4 da manhã, pegar umas 3 conduções e trabalhar do outro lado da cidade pra ganhar 600 reais no final do mês? O que existe de acomodação em ter 2 turnos de trabalho para conseguir pagar as contas de casa e ajudar o povo da família que está desempregado? O que existe de acomodação em chegar tarde do trabalho porque o transporte público é um lixo e ainda ter que fazer comida e cuidar da casa?

Ignorante por opção? O que existe de opção no currículo das escolas públicas? E o que existe de opção no background de uma vida? Por acaso nós podemos escolher nossos pais, parentes, amigos ou os acasos cotidianos que mudam nossos caminhos? Podemos escolher nossa capacidade intelectual?

Desculpem, meus caríssimos brasileiros tão inteligentes e especiais, mas acomodação é ficar olhando o Brasil assim de longe, sem noção da realidade, sentado na confortável poltrona da arrogância sem fazer absolutamente nada a não ser alimentar o próprio ego com a pobreza dos outros. Seja esta pobreza material ou de espírito, isto é SOBERBA. Soberba Cultural. Tem muito disso no Brasil.

Sim, existem PRIVILEGIADOS que nasceram sem condições, mas acabaram se interessando pelo conhecimento em algum acaso da vida. Também existem os intelectualmente privilegiados (normalmente chamados de “inteligentes”) e os socialmente privilegiados. Ou você acha que todo europeu nasceu com o dom do interesse? Uma cultura milenar não faz diferença?

Infelizmente, muita gente acha que não. Tenho a nítida impressão de que, para a maioria das pessoas supostamente “esclarecidas”, a história pouco importa - o que me deixa realmente alarmada, já que se não importa para os privilegiados, para QUEM vai importar, não é mesmo? E este é o exemplo que vem de cima, vejam bem.

E outro dia um amigo disse assim:

- Mas eu corri atrás de aprendizado porque eu quis. Eu poderia ter usado a internet só pra ficar no Orkut, mas eu chafurdava conhecimento. Foi opção.

Opção incentivada por uma tia professora. E depois por uma casualidade - um colega de trabalho que sabia demais e acabou incentivando o sujeito. Família E meio.

Falar é fácil. É só colocar uma palavra do lado da outra, formar uma frase e atirar para o mundo. Pensar é que complica. E nenhum livro do mundo, nenhuma enciclopédia, nenhuma biblioteca e nenhuma escola particular, pelo jeito, está fazendo as pessoas pararem para pensar antes de concluir que o povo brasileiro não presta.

Nossos pais, nossa família, o meio em que vivemos, as oportunidades que aparecem no caminho e a POSSIBILIDADE de aproveitar estas oportunidades são apenas algumas das variáveis que levam alguém a se interessar pelo conhecimento, ou não. Mas tem gente que considera simplesmente uma opção. Simples assim: só é ignorante quem quer.

Responda pra mim então: ONDE este país ensina que conhecimento vale a pena? Quanto é o salário de um professor? Vou mais longe: QUANTO vocês acham que ganha um jornalista ou um médico remunerado por convênio? Em compensação, quanto ganha um publicitário? Quanto ganha uma atriz ruim e gostosa que sai na Playboy?

A verdade, caros amigos, é que conhecimento no Brasil há tempos não vale NADA. E se de repente a internet mudou alguma coisa em relação a isto, é uma grande novidade. É uma nova história que começou na década de 90, mas talvez ainda precise de alguns séculos para mudar o povo.

Se você não teve nada, mas nasceu com uma cabecinha abençoada; se você teve a sorte de conviver em algum meio que incentivou seu interesse pelo conhecimento, se pode se dar ao LUXO de dedicar-se a qualquer tipo de estudo em um país de maioria miserável, parabéns. Você é um privilegiado. Pense nisso antes de criticar seu povo e aproveite para pensar bastante antes das próximas eleições - já que você pode.

“Não tenho paciência com gente ignorante”.
Certo. E eu não tenho paciência com arrogância.

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  1. Dona Nick!

    Como sempre mandando bem com seus txts, entretanto nesse ponto eu discordo.

    Não acho que seja justo passar a mão na cabeça do peão que acorda de madrugada para trabalhar, não acho que seja justo dizer “coitadinha” para a doméstica que tem que ficar ouvindo a patroa. Acredito que, infelizmente, é acomodação. Trabalho em uma empresa que, na minha função, acabo entrando em contato com todo mundo. E uma coisa que muito me entristece é ver o pessoal de áreas como limpeza, copa, remanejamento de volumes, montagens de estações de trabalho dizendo, com todas as letras, que aquilo esta bom para eles, que já da para pagar as contas e tomar uma cerva.

    Sinceramente, não sei se sou eu que tenho uma cabeça muito diferente disso, mas eu não conseguiria viver assim. Sendo sempre resignado a viver assim ate a minha aposentadoria. De boa, a Petrobras dá (leia bem o curso é “DADO”) o curso de primeiro e segundo grau para quem quiser completar os estudos e vejo que nem 10% dos funcionário que não possuem estudo se esforçam para ir nestes cursos de formação que é dado. E não é por falta de horário, pq o funcionário que se matricula neles tem a dispensa para assistir as aulas, mas mesmo assim a freqüência é quase ridícula. Por isso que eu digo que é uma boa parte de acomodação, sim.

    Enfim, é isso! Falo do que vejo, do que, infelizmente, acontece. Claro que temos aqueles que estudam, que vão em frente e tentam mudar, como é um exemplo de um amigo meu que, semana passada, começou a trabalhar como técnico de segurança do trabalho, depois de ter trabalhado dois anos como limpador, para juntar grana e pagar o curso.

    Bjs!

    Oi, Rafael

    Olha, respeito a sua opinião, mas não concordo com o termo “acomodação”. Como eu disse lá em cima, estamos em um país onde educação e conhecimento não vale nada. É o exemplo que vem de cima, começando pelo próprio governo, passando pela TV, continuando no nosso mercado de trabalho.

    Porque você acha que todos os funcionários da Petrobras se interessariam em completar os estudos? ONDE isto se mostra importante no Brasil? Infelizmente, não temos esta cultura. E este tipo de valor não nasce de uma hora para outra. A história precisa de tempo para virar história e estes programas de incentivo são realmente admiráveis, mas precisam de chão para tornarem-se tão importantes e interessantes como uma cervejada entre amigos.

    Como você mesmo disse, sua cabeça é diferente. Talvez valores de família, talvez do meio em que você viveu ou vive, talvez seja simplesmente você. De qualquer forma, acho importante notar que você é uma excessão, assim como seu amigo (que, cá pra nós, eu também admiro).

    Quanto a ser feliz com mais ou menos “condições”, aí é outro papo. Tenho família na roça (literalmente roça - capinando), tenho parentes no interior de Minas e tenho parentes que moravam na Europa e mudaram-se para o interior de Minas, onde a vida é infinitamente mais simples e a diversão maior é sentar-se com os amigos para jogar cartas e tomar uma cervejinha. Nenhum deles é acomodado. São apenas felizes com o que possuem e, no caso, entraríamos em questões mais filosóficas. ;]

    Bom… É o que eu acho.
    Beijo

    Nick Nicks

    Comentário por Rafael |

  2. Estou sentindo uma dor de cabeça terrivel, porém vc tocou no assunto q nas ultimas semanas, atormenta minha vida…. sim sou formada, porém não exerço a profissão q escolhe, enfim… tenho uma lan house de bairro, q abri com muito esforço e inteligencia claro! de uns meses para cá, começei a observar o comportamento das pessoas, dos clientes na verdade, e começei a ver quanta podreza de espirito, por que acho q para ser podre não precisa vc ser ignorante, estupido e burro. um bom dia, boa tarde, boa noite, por favor e obrigada não custa nada, não fere e ainda excercita a lingua, pois bem… percebi q essas palavras não faziam parte do dia-a-dia dos clientes q vinham até aqui, começei a tentar ensina-los principalmente as crianças e observei um certo esvaziamento do lugar, o q é pessimo para um comercio, enfim… estou tento q usar mascarás, tenho q aguentar a falta de GENTILEZA das pessoas, o modo q elas entram sem bater, q elas pedem como se tivesse tratando animais, arrogancia…cara de boa, eu detesto pobre, apesar de ser uma. sinceramente acho q esse país a cada dia piora, as pessoas não querem nada com nada, querem apenas tirar proveito das coisas, se darem bem, não pagarem, mendigarem..affffffff

    sinceramente, essa é nossa realidade

    adorei seu ponto de vista, adoraria conseguir expor meus pensanemento em frases tão bem formuladas com as suas. sucesso

    bjoka da dedéia


    Déia, taí uma coisa certíssima: educação não tem nada a ver com dinheiro. Você pode ter nascido no lugar mais pobre do mundo e saber que Bom Dia e Boa Noite são simples questões de respeito à outra pessoa. Eu chamo isto de BERÇO. Berço não tem a ver com ouro, nem com escolas particulares. Tem a ver com os valores passados pela sua família, sua escola e pelo país onde você vive. Infelizmente, o nosso “Berço Esplêndido” está deitado eternamente em valores estranhos. Não pense que falta de delicadeza é coisa de pobre. Meu último emprego foi em uma agência de propaganda conhecidíssima aqui em SP, das grandes. A maioria das pessoas lá dentro veio de famílias ricas, mas só uns 10 entre 300 funcionários (sério isso) respondiam ao seu Bom Dia. Tinha gente que nem se dava ao trabalho de olhar para sua cara. Deprê! As melhores roupas, os melhores sapatos, cortes de cabelo que custavam 300 reais, mas delicadeza zero. Uma vez meu cunhado perdeu a paciência com um boyzinho aqui da região e soltou a seguinte pérola: “Amigo, gasta menos dinheiro com carro e um pouco mais com educação. Vai ficar mais bonito pra você.” Beijos Nick Nicks

    Comentário por deia |

  3. vários tapas na cara dessa gente zé roela que desmerece nosso povo!
    muito bom o texto!

    Tapa na cara? *ai*… rsrsrsrs… Olha, eu confesso que estava irritadíssima quando escrevi este post. Motivos bem particulares. Eu até pensei em apagar depois, sabia? Mas, enfim, com raiva (como na hora em que escrevi) ou sem raiva (como agora) no fundo é o que eu acho mesmo. Beijos Nick Nicks

    Comentário por Marcela Bragaia |

  4. Gostei muito do contexto, penso da mesma maneira, vivo isso, é um inferno você ter que se justificar sempre para pessoas que viveram no meio certo ou foram atrás por livre espontânea vontade, não aconteceu comigo, não lutei para conseguir um ensino superior como tantos amigos meus. Acredito que sou uma vencedora porque tenho conseguido me virar bem, mas odeio ter que aguentar certos comentários….
    Parabéns pelo blog.

    Posso contar uma coisa, Carol? Meu pai aprendeu a ler em 6 idiomas além do português: inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e russo. Porque? Porque ele sempre leu feito um doido, desde a adolescência, e de repente nasceu a vontade de ler certos autores em seu idioma original. Algumas pessoas usam o termo “culto” para definir pessoas como meu pai. Não concordo com o termo, mas vamos lá: ele é o cara mais “culto” que eu conheço. E sabe o que, Carol? Eu NUNCA vi meu pai menosprezando a cultura de ninguém, nem julgando as escolhas de ninguém. Sabe porque, Carol? Porque conhecimento qualquer pessoa pode ter. Está à venda em qualquer livraria e tem até grátis na Internet. Meu pai não tem seu valor pelos livros que leu, mas por quem ele é. Infelizmente, os valores neste mundo sempre foram BEM estranhos. Bizarros, eu diria. E se uma pessoa teve forças pra lutar por alguma coisa e outra não teve, alguma coisa aí no caminho fez a diferença. E isso, Carol, por mais que as pessoas leiam, não podem entender. Porque só sabe o que sente, quem está sentindo. Beijos Nick Nicks

    Comentário por Carol |

  5. Ha é muito difícil fala sobre questões sociais, acho que a base de tudo esta na educação, seja ela em casa com seus pais e na escola, mas é difícil que com tanta m… acontecendo alguma coisa mude, por exemplo não ha incentivo para a cultura nem ao menos no maior meio de comunicação que é a televisão, em horário nobre o que se passa na televisão? Novela? Big Brother? ha o noticiário “Casal Nardoni” é… “Lula”… To cansado das mesmas noticias…e programas como o Altas Horas e Programa do Jô que tem reportagens e matérias super interessantes são postos na madrugada,… Bem o fato é que o povo brasileiro não sabe o poder que tem, e não o valoriza, e fica ouvindo gringo a anos dizendo que a Amazonia não tem dono, e só agora com a sensação do momento que é o aquecimento global estão preocupado com tal recurso que dispõe, fica ouvindo que o petróleo brasileiro não presta,… - Ha não presta? então tá! Já que não presta deixa agente usa aqui mesmo no motor dos nossos carros vamos acaba com eles então, … E as fabulosas ONG’s que usam o recurso do governo dizendo que estão atendendo comunidades indígenas entre outros serviços, mas na verdade estão mesmo é enchendo o bolso de grana e levando nossos recursos naturais, e fazendo pior jogando o povo contra o governo,…
    Bom mas vau parar por aqui porque eu sou suspeito a falar, estou ligado ao governo federal, tenho N assuntos a discutir, e opiniões variam de cabeça para cabeças, mas digo que o que deve ser feito é uma analise geral e ver o que esta errado e após isso reformular tudo, plano de aceleração, saúde básica, saneamento, educação e segurança.

    Pois é, Gabriel. E com tanta coisa errada, por ONDE os governantes devem começar? Eu acredito que saúde e educação sejam realmente básicos. Tenho fé na transformação pela educação - e educação, para mim, também envolve o entendimento de valores baseados em coisas REAIS e não na última moda. Talvez eu não veja o Brasil diferente do que é hoje. Ou talvez até já esteja vendo, mas não percebendo, porque toda mudança deste porte leva muito tempo para ser compreendida. Beijo Nick Nicks

    Comentário por Gabriel |

  6. Ah Nick, eu entendo o que vc quis dizer! E concordo, só quis tentar mostrar que rola uma certa falta de visão do futuro!

    Ainda estamos vivendo em um contexto onde se tem uma visão mt imediatista dos fatos, ng quer pensar como vai estar daqui a a alguns anos, só quer saber o que vai comer amanha!

    E voltando a questão da instrução, é certo que um prego qq, que não tenha nem o nível médio completo, pode vir a estourar com um funk escroto (eca)! Ele vai encher o bolso de grana! Fato! Mas quem disse que ele vai passar daquilo, ele vai saber administrar a grana? Ele vai conseguir viver só daquilo ate quando estiver velho? Ao contrario de quem tenha uma facul e trabalhe com o que se formou! O que possui o nível superior e trabalha de acordo com a sua formação, vai seguir nessa vida, mesmo sem ganhar rios de dinheiro, mas vai ter uma vida regularmente boa e se aposentar com relativa tranqüilidade! Ao contrario do cara do funk ou da mulher que pensa com a bunda!

    Bem, não sei se consegui me fazer claro, mas é isso!

    Bju! ;)

    Oi, Rafael!

    Desculpa a demora na resposta. A vida anda complicada pro meu lado, viu? Correria demais.

    Sim, você foi super claro. Tenho impressão de que estamos falando a mesma coisa, só que usando palavras diferentes, sabe?

    Entendo perfeitamente que dê uma certa irritação de ver as pessoas ignorando a sorte que bate na porta. Principalmente quando para nós não foi assim tão fácil. Não critico você por ficar irritado com isto, porque também já senti. Dá aquela vontade de chacoalahar as pessoas e dizer: “Ow! Acorda, pô!”

    Acho que valem os chacoalhões (de alguma forma), mas também vale entender que só o tempo vai mudar as coisas por aqui. Por muitos e muitos anos, ainda teremos gente sofrendo com escolhas imediatistas que fizeram pela vida, sabe? Infelizmente. :/

    Um beijo
    Nick Nicks

    Comentário por Rafael |

  7. Gostei do texto…
    Embora acho que você defendeu muito os brasileiros… >_> E isso é o ruim de um texto, você acaba generelizando (embora você foi bem específica em alguns pontos).
    Estava até discutindo um assunto parecido no meu blog, e foram apontados tópicos interessantes…

    O brasileiro não presta mesmo, quando você estende a mão para ajudar, eles te puxam junto ou te levam até mais para baixo. O problema de tudo começa na educação, a escola pública é um lixo, fato! A privada também não é essas coisas, e ainda com um povo que não tem intenção nenhuma de contribuir para o país fica pior.
    Além do mais, as pessoas se alienam tanto que nem percebem o quão fundo estão, e que quanto mais cavam, mais difícil fica para subir. Ao invés das pessoas se preocuparem em ganhar empregos descentes, apenas reclama da baixa renda salaria e desfrutam do bolsa família do governo…. E sem fazer nada para mudar, apenas reclamando.
    E, enquanto isso, as pessoas que têm mais poder aquisitivo não fazem nada para ajudar aqueles que não possuem, e só para enriqueceram mais.
    Aí, ficamos com dois extremos.
    A classe alta, que só pensa em ficar mais rica, produzir mais dinheiro, e a classe baixa, que só reclama, e se acomoda com a situação, do jeito que está.

    ¬¬’ E a situação só tende a ficar pior, por que a futura classe do PEA, os jovens, se preocupam apenas convosco, o pensamento é o seguinte: “Enquanto o problema não atinge aqui em cima, não me importa quem está abaixo de mim”.

    Deveras, a sociedade hoje já não de acordo com os valores morais e éticos, são os mesmos que se alteram de acordo com a sociedade.

    E é por isso que eu acho que o povo brasileiro ao preta, por que o Brasil é cheio de problemas, e todos os problemas tem excessões, e essas são confundidas com soluções, e por isso, não é feito nada para mudar.

    Se falaram que “O povo brasileiro é acomodado”, sou obrigado a concordar. Não no aspecto que você mesmo disse, mas somos acomodados com a situação que estão. O governo é um lixo, todo mundo reclama do Lula… Mas ele se reelegeu ._.
    E quantas pessoas você não vê por aí reclamando da politica, da sociedade, e não fazendo nada para mudar?
    Essa tal de “revolta” acaba sendo uma máscara para um conformismo.
    E quando dizem que “O povo brasileiro é ignorante por opção”, aí eu não diria que é por opção, eu diria que é por falta de opção. Aqui é a terra do olho por olho e dente por dente, como já disse antes, você estende o braço para ajudar e acaba perdendo o relógio.
    “O povo brasileiro não se interessa por conhecimento”, generalizando essa afirmação não deixa de ser verdade. Um claro exemplo disso é a escola pública, minha mãe é professora em uma escola estadual, é ela disse que em uma sala de 40, 2 ou 3 prestam atenção… Isso significa que 37 não estão nem aí para o conhecimento, e isso acontece por que foram obrigados a estarem lá. A educação só vai funcionar quando for algo opcional, por que então, todos que estiverem na escola estarão com pelo menos o mínimo de vontade para aprender, e se por acaso vier o discurso de “Se for opcional, quase não terá ninguém na escola”, e aí sim, estaremos confirmando que não nos interessamos por nenhum conhecimento.

    O povo brasileira também não possui interesse por nada produtivo.
    Na época de Big Brother, a maioria sabe os nomes dos paricipantes, quem é casal, quem é líder e toda essa frescura, mas não sabe que pagam 10 milhões por mês para o senado, enquanto outros países como França e Argentina pagam cerca de 1 milhão, 800 mil…

    ._.’ Ah… Vou parando por aqui…
    Já fiz um discurso desses uma vez, e estou praticamente repetindo.
    Aguardo resposta ;D

    Oie, Vinik!!
    Dsculpe se eu demorei pra responder, mas trabalhei no último fim-de-semana sábado e domingo. Quando estas coisas acontecem, fica impossível dar a devida atenção ao blog. :/

    Bom, mas vamos à resposta. Vou tentar citar os pontos isoladamente, para ficar mais claro:

    1. “Quando você estende a mão para ajudar, eles te puxam junto ou te levam até mais para baixo” - Desculpa, Vinik, mas eu sinceramente nunca passei por isto. Costumo indicar cursos, ajudar gente que está começando na minha área de trabalho, tentar despertar o interesse por coisas novas, etc., mas só vou até aí. Um colega meu, por exemplo, estava meio sem rumo profissional e eu passei alguns links pra ele pesquisar. Ele acabou se interessando por Biblioteconomia, fez um curso e está trabalhando na área. Eu vou até onde posso. Tem uma hora que realmente só depende da pessoa e não dá pra fazer mais nada. Não sei se entendi direito, mas era sobre estas coisas que você estava falando? :/

    2. “Além do mais, as pessoas se alienam tanto que nem percebem o quão fundo estão” - Será que o termo é mesmo “alienar”? As vezes eu penso que é o contrário: só quem é alienado das coisas que acontecem no Brasil e alienado do que passa na TV é que consegue entender o quanto outras coisas são importantes… rsrsrsrs… Tudo bem, é uma brincadeira da minha parte, mas eu quero dizer que o que estas pessoas vivem e acham importante é o que o nosso país ensina. Você citou educação e está certo. Eu ainda cito os exemplos que vêm de cima, do governo mesmo.

    3. Você também citou sua mãe e o caso dos alunos dela. Minha irmã também foi professora em escola pública e aí existem muitas coisas envolvidas. Tem desânimo, porque mesmo estudando este jovem não vê futuro para ele, porque as oportunidades são muito maiores para quem já tem dinheiro. Depois tem o incentivo que vem de casa, ou não. Além do incentivo em si, tem a FORMA de incentivar. Bater, gritar, ameaçar e coisas do gênero não funcionam como incentivo, mas é o que a maioria das pessoas sabe fazer. Porque assim ensinaram para elas e é assim que elas conseguem ensinar de volta.

    Também tem a parte da cultura do nosso povo. Há séculos que conhecimento aqui não tem valor. Não é de uma hora para outra que as crianças vão começar a dar valor para isto. Infelizmente.

    Sabe, Vinik, eu não sou socióloga. Longe disso! Sou só uma observadora. Você tem toda razão quando dizem que as pessoas reclamam demais e fazem de menos. E não são só os mais simples, viu? No meu trabalho, por exemplo, há pouco tempo tinham algumas pessoas reclamando de tudo, irritadas o dia todo, a gente saía pra almoçar e era só reclamação.

    Se eu estou mal em um emprego, vou correr atrás de outra coisa. Pode ser difícil, mas uma hora rola. No entanto, a coisa mais comum é um monte de gente reclamando de coisas erradas, sem tentar encontrar uma solução.

    Até em reunião da empresa acontece isto. Ao invés do povo se reunir pra tentar arrumar o que está errado, ficam preocupados em descobrir de quem é a culpa.

    Todo mundo tem culpa, Vinik. Até eu e você temos culpa. O que eu realmente não acho justo, é colocar a culpa só no povo. Apontar como se eles fossem os culpados e ignorar a história do Brasil, os governos que a gente teve (sem escolher ou escolhendo sem conhecimento para isto), enfim… Tem muita coisa envolvida, sabe? Pelo menos é o que eu acho.

    Beijos Nick Nicks :]

    Comentário por Vinik |

  8. O interessante é que muitos dos publicitários que fazem campanhas sofríveis e vivem do “auto-engano” de que trabalham com algo relevante são os primeiros a reclamar da ignorância do povão. Bom texto. E não acho que seu objetivo tenha sido “passar a mão na cabeça” dos pobres e “peões” não, mas relativizar certas questões nas quais ninguém pensa, por pura hipocrisia. Parabéns.

    Oi, Donizetti

    Obrigada. Fico feliz que você entendeu o ponto principal. Acho meio triste colocar a culpa de tudo só no povo. Nunca gostei da frase “Cada povo tem o governo que merece”. Inclusive porque, em se tratando de política aqui no Brasil, NINGUÉM merece. E por mais que você pesquise e tente votar com consciência, nada muda as surpresas que vêm depois. E elas sempre vêm. Obrigada pela visita Nick Nicks

    Comentário por Doni |

  9. Nick, ponto de vista muito aproximado os nossos. Deixa eu te contar a minha história:
    Eu também sou pobre (ainda sou), e mesmo assim estudo História na Unicamp. Isso não justifica então a máxima “quem vai atras consegue o que quer”? Eu seria a pessoa mais “qualificada” a dizer isso, mas não. A diferença entre eu e os meus colegas de escola publica foi que eu sempre fui estimulada a ter uma auto-estima para conseguir essas coisas. Acredito que esta é a grande diferença.
    Eu como dona de uma grande sensibilidade desde cedo (e de falta de modéstia também) eu reconhecia que eu tinha colegas donos de uma inteligencia fantastica, de uma perspicacia ímpar, mas que como não eram acreditados tiravam notas baixas. Eu achava isso muito injusto, mas ainda hoje não sei o que eu posso fazer de efetivo pra sanar isso.

    Abç p/ quem é de abç, bjo p/ quem é de bjo e obrigada pelo ombro!

    Oi, Lety!

    Primeiro, deixa eu dizer uma coisa: você escreve MUITO bem. Seu blog é ótimo, viu?

    Agora, sobre o seu comentário:

    Que BOM você contar o seu caso aqui no blog. Muita gente como você - que não tinha nada mas correu atrás - esquece de levar em consideração a força que tiveram do destino (Inlcua aí no destino: parentes, amigos, ambiente, etc.)

    Pra ajudar, olha, eu penso que pequenas coisas podem fazer a diferença. Se até um buraquinho na fechadura pode deixar alguém curioso, né?

    Eu costumo conversar, mostrar coisas que eu acho legais, explicar sobre profissões diferentes, expor idéias, questionar os outros, dar livros de presente (livros simples e viciantes para quem não lê), por aí vai. É pouco mas talvez seja aquele empurrãozinho que nem todo mundo tem.

    A gente só pode ir até certo ponto. Depois é com a pessoa. Porque a gente também não muda a “base” de alguém tão facilmente.

    Enfim… Tentar já vale.
    Obrigada pela visita e por contar o seu caso. :]

    Beijos
    Nick Nicks

    Comentário por Lety |

  10. Ah, aumenta a fonte do seu blog… é mto pequena! :-P

    Oi Lety.
    Sério, tá pequena mesmo?
    Vou falar com a nossa designer aqui (a Lisa Lips)
    É importante dar leitura, né?
    rsrsrs

    Beijos Nick Nicks

    Comentário por Lety |

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