A gentileza

17.dez
2008
postado por Lina Love

Minha mãe é a mulher mais gentil que eu conheço. Isso mesmo, no exato sentido magnífico da palavra gentil. Se você não sabe, vai lá no dicionário, lê lá o significado. Vale a pena você procurar o sentido da palavra, viu? Uma vez por dia eu leio o significado de uma palavra. Isso para que não fiquem mal entendidos, nem nada por dizer, nem nada para ser dito, nem nada mais do que o que foi dito.

Enfim, ontem conversei com um amigo e me dei conta de algo que vem amadurecendo na minha cabeça nos últimos tempos. Disse a ele que ele é um homem gentil. E que a gentileza é uma das melhores características que uma pessoa pode ter.

Assumo que eu adoro a gentileza graças à minha mãe filósofa, pregadora da comunhão feliz entre as pessoas. Mas, tenho percebido o quanto a gentileza aproxima as pessoas.

A gente é gentil por uns momentos e pronto, começa a aparecer sorriso, um gesto mais acolhedor, algo próximo, que antes da gentileza, a gente nem via sinal deles lá. Se eu posso falar um pouco bem de mim mesma, eu digo que sou gentil. Minha mãe praticamente me obrigou a ser gentil,já que com ela, só através da língua da gentileza eu conseguiria qualqer coisa nessa vida. Qualquer coisa mesmo. um amigo? Um irmão? Um colo em uma hora difícil? Um ouvido quando você precisa desabafar. Só depois de temperar todos os meus relacionamentos com muita gentileza eu teria essas coisas todas.

Outro dia baixei no shopping, lugar que eu não gosto muito, fico claustrofóbica, mas encaro quando é por uma boa causa. Nessa boa causa, parei numa loja, namorei umas camisetas, e o menino veio em minha direção dizer que eu poderia ficar à vontade e fazer tudo ali, menos bater nele. Isso porque eu perguntei se podia abrir as camisetas.

Ele acabou ganhando meu sorriso de canto de boca, um pouco sem graça. E ele insistiu na gentileza. Me ajudou a escolher, dava sua opinião e sorria gentilmente. Minha amiga me disse que ele estava era interessado em mim, mas ainda assim me deu vontade de dizer ‘menino gentil, seja sempre assim, verdadeiramente assim, e terás o que quiser’.

A gentileza faz uma diferença brutal na vida das pessoas, por isso, seja gentil. Em todas as instâncias da sua vida, observe a diferença que faz. ;)

postado por Nick Nicks

Eu tenho certeza que poderia ser uma amiga mais dedicada e sempre tento. Mas, infelizmente, só consigo dar aquilo que tenho. E muitas vezes falta energia de espírito para ser uma amiga 100%.

Já fui bastante radical em relação aos meus amigos. Eu cagava regras de amizade que, se não eram correspondidas, me deixavam louca da vida.  E justo por causa destas regras eu cobrava demais e era, sinceramente? Uma chata.

“Ah, quer dizer que hoje você se considera uma amiga exemplar e uma pessoa perfeita!”

Não, não. Muito longe disso, aliás. Hoje eu me considero pior do que antes, talvez. Porque antes eu achava que era ótima, até me ligar que não consigo ser perfeita. Porque tenho limites pessoais e nem sempre consigo passar por cima deles para corresponder ao que esperam de mim.

Agora, olha só que interessante, justamente quando eu VI alguns dos meus defeitos, comecei a aceitar melhor os defeitos dos outros. E foi aí que eu parei de cobrar tanto. E também parei de sofrer com coisas do tipo “ela não é tão amiga minha assim”. Bobagem! Lá no fundo, onde o espelho não alcança, somos todos meio egoístas e esperamos que as outras pessoas sejam do jeito que a gente quer.

Quanto mais regras a gente coloca entre duas pessoas, mais sofre com besteira. E é justamente sobre isto que eu queria falar. Sobre uma regra que a maioria das pessoas coloca nas amizades e resume-se em uma frase famosa que diz:

“Amigo está sempre do nosso lado quando a gente precisa”

Sempre? Sempre é tempo demais. É bom entender que as pessoas só podem dar aquilo que elas têm. Isto chama-se “limite”.

As vezes, justamente quando a gente mais precisa de um amigo, este amigo também não está lá estas coisas. E não pense que é fácil identificar os problemas dos outros. Muitos deles, as pessoas escondem e não comentam.  Ou nem SABEM que têm. Ou você acha que tudo é assim tão claro dentro da nossa cabeça? Quanto maior o problema, mais difícil é de enxergar. Nós vemos a pessoa lá se divertindo nas baladas, rindo nos bares, mas por dentro a coisa está preta. 

Aquilo que as pessoas chamam de “egoísmo” também é um tipo de limite. Eu sei que é complicado aceitar, mas faz bem pra saúde. Porque, quando você entender isto perfeitamente, vai deixar de ter raiva. E raiva é um sentimento que prejudica mais a gente do que os outros.

O egoísmo acontece por causa daquele papo de que você só pode dar aquilo que tem. As vezes uma pessoa é ótima em vários pontos, mas nem sempre consegue suportar os seus momentos ruins. Isto não faz dela uma má-pessoa, mas uma pessoa com problemas, assim como você. 

Aí você diz: “Ah, mas uma pessoa egoísta não é um bom amigo”.

Sim, ser amigo de alguém que é egoísta SEMPRE, fica complicado. Mas, sinceramente, eu ainda não conheci ninguém assim. Conheço pessoas que são egoístas aqui e ali, mas não em todos os momentos. E se eu conhecesse alguém que é egoísta o tempo todo, bom… Não conseguiria ser amiga desta pessoa mesmo.

Resumindo: ninguém é perfeito, incluindo nossos amigos.

Amigos erram do mesmo jeito que nós. Quando conseguimos enxergar e aceitar os NOSSOS próprios limites (ou defeitos, como preferir), aprendemos a entender e desculpar os outros. E outra: só quando nós enxergamos os nossos problemas é que podemos tentar mudar. Básico isto. Ninguém vai tentar mudar uma coisa que nem sabe que tem, certo? 

E pensa bem: se você julgar um amigo da pior maneira possível quando ele errar, como é que você acha que vai SE julgar quando for a sua vez de errar? Mesmo peso, mesma medida. Seja menos rígido com os outros e você vai ser menos rígido com você também. Não é questão de ser “bonzinho”. É questão de ser razoável.

E agora dá lincença que eu vou lá bater um papo com os meus defeitos e, quem sabe, descobrir uns novos. Porque, olha, tem um MONTE.

postado por Nick Nicks

Uma leitora do Melhor Amiga se apaixonou pelo melhor amigo dela e mandou um e-mail perguntando o que fazer. As amigas dela aconselharam uma carta contando tudo e agora ela está naquele dilema… Manda a carta? Não manda? Se expõe? E se o cara não sentir a mesma coisa?

Cara amiga:

Você não tem idéia de quantas vezes eu já me apaixonei por um amigo meu. Sério. Identificação total com a sua situação. O que eu fiz na época? Bom, eu contei. E aí você pergunta: “E foi legal pra você?” Hum… Sinceramente? Foi legal e não foi.

Porque não foi legal: Porque em nenhuma das vezes o lance deu certo pra mim (pelo menos não para mim). Nenhum dos caras se afastou nem deixou de ser meu amigo, mas a situação ficou constrangedora, sabe? E depois de contar eu começava a ficar meio encanada com tudo o que o cara fazia, achando que ele estava me evitando ou que tinha falado pra alguém. No final das contas, quem atrapalhou a amizade mesmo foi a minha própria cabeça cheia de minhocas depois da declaração.

Porque foi legal: Porque eu senti um alívio enorme contando pra eles. E porque depois que eu ouvia o não da boca deles, sabia que não tinha jeito e conseguia partir pra outra. Não ficava perdendo tempo com a minha imaginação. Sabe aquelas coisas de “hummmm… acho que ele me lançou um olhar de interesse”? Pois é, estas coisas acabavam e eu ficava aberta para novidades (e elas sempre vêm - as novidades - quando a gente consegue olhar para outros lugares).

Não estou dizendo que o seu caso vai ser igual aos meus. Na verdade, o que eu fiz aqui foi mostrar pra você o pior cenário possível, que é o caso do não. Pode ser que o seu amigo goste de você também, e aí?

Na boa? Se fosse hoje em dia eu mandava um e-mail anônimo. Na época que aconteceu comigo não existia este recurso e carta anônima pra amigo não rola, porque eles conhecem a nossa letra. Então, graças às maravilhas da tecnologia, hoje eu poderia dar uma de Cupido Digital com um e-mail dizendo algo do tipo:

“Olha, eu gosto de você mas não vou falar quem eu sou, porque você pode não sentir a mesma coisa e aí a situação vai ficar meio chata. Então, só pra me ajudar, por acaso você está gostando de alguém? Por acaso está interessado em alguma pessoa que você conhece? Não precisa dizer o nome se não quiser, mas só me dê uma dica. Responde pra mim e quem sabe a gente pode ficar juntos?”

Babaca demais? Tudo bem, pode até ser. Mas pelo menos eu não colocaria minha cara pra bater nem arriscaria perder a amizade. Eu tentaria descobrir o que ele pensa sobre mim de longe, sabe? Sem me expor. E se o cara não quisésse nada com ninguém, se ele gostasse de outra pessoa ou se ele achasse aquele meu e-mail uma grande babaquice, nunca saberia que fui eu quem mandou. Se alguém desconfiasse, dane-se. Eu negaria até a morte =P

Ah, importante: caso você decida fazer isto, tem que deixar claro que não é trote, nem vírus e estas coisas. De repente com alguma informação pessoal a respeito do cara, pra ele se ligar que é com ele mesmo. Algo do tipo “adoro quando você usa aquela blusa rôxa de bolinhas amarelas”. Sei lá.

Bom, isto é o que eu faria hoje. Mas não foi o que eu fiz. E só para constar algo muito importante nisso tudo: hoje eu não me arrependo. Porque, por pior que tenha sido ouvir o não, por pior que tenham sido as encanações depois, eu fiz exatamente o que eu queria fazer naquele momento.

Como diria aquela marca de tênis famosa: Just do it! Seja anônimo ou escancarado. Depois conta pra gente o que você decidiu e o que aconteceu.

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