postado por Nick Nicks

“O povo brasileiro é acomodado”, “O povo brasileiro é ignorante por opção”, “O povo brasileiro não se interessa por conhecimento”, “Não tenho paciência com gente burra”.

Acomodação? O que existe de acomodação em acordar as 4 da manhã, pegar umas 3 conduções e trabalhar do outro lado da cidade pra ganhar 600 reais no final do mês? O que existe de acomodação em ter 2 turnos de trabalho para conseguir pagar as contas de casa e ajudar o povo da família que está desempregado? O que existe de acomodação em chegar tarde do trabalho porque o transporte público é um lixo e ainda ter que fazer comida e cuidar da casa?

Ignorante por opção? O que existe de opção no currículo das escolas públicas? E o que existe de opção no background de uma vida? Por acaso nós podemos escolher nossos pais, parentes, amigos ou os acasos cotidianos que mudam nossos caminhos? Podemos escolher nossa capacidade intelectual?

Desculpem, meus caríssimos brasileiros tão inteligentes e especiais, mas acomodação é ficar olhando o Brasil assim de longe, sem noção da realidade, sentado na confortável poltrona da arrogância sem fazer absolutamente nada a não ser alimentar o próprio ego com a pobreza dos outros. Seja esta pobreza material ou de espírito, isto é SOBERBA. Soberba Cultural. Tem muito disso no Brasil.

Sim, existem PRIVILEGIADOS que nasceram sem condições, mas acabaram se interessando pelo conhecimento em algum acaso da vida. Também existem os intelectualmente privilegiados (normalmente chamados de “inteligentes”) e os socialmente privilegiados. Ou você acha que todo europeu nasceu com o dom do interesse? Uma cultura milenar não faz diferença?

Infelizmente, muita gente acha que não. Tenho a nítida impressão de que, para a maioria das pessoas supostamente “esclarecidas”, a história pouco importa - o que me deixa realmente alarmada, já que se não importa para os privilegiados, para QUEM vai importar, não é mesmo? E este é o exemplo que vem de cima, vejam bem.

E outro dia um amigo disse assim:

- Mas eu corri atrás de aprendizado porque eu quis. Eu poderia ter usado a internet só pra ficar no Orkut, mas eu chafurdava conhecimento. Foi opção.

Opção incentivada por uma tia professora. E depois por uma casualidade - um colega de trabalho que sabia demais e acabou incentivando o sujeito. Família E meio.

Falar é fácil. É só colocar uma palavra do lado da outra, formar uma frase e atirar para o mundo. Pensar é que complica. E nenhum livro do mundo, nenhuma enciclopédia, nenhuma biblioteca e nenhuma escola particular, pelo jeito, está fazendo as pessoas pararem para pensar antes de concluir que o povo brasileiro não presta.

Nossos pais, nossa família, o meio em que vivemos, as oportunidades que aparecem no caminho e a POSSIBILIDADE de aproveitar estas oportunidades são apenas algumas das variáveis que levam alguém a se interessar pelo conhecimento, ou não. Mas tem gente que considera simplesmente uma opção. Simples assim: só é ignorante quem quer.

Responda pra mim então: ONDE este país ensina que conhecimento vale a pena? Quanto é o salário de um professor? Vou mais longe: QUANTO vocês acham que ganha um jornalista ou um médico remunerado por convênio? Em compensação, quanto ganha um publicitário? Quanto ganha uma atriz ruim e gostosa que sai na Playboy?

A verdade, caros amigos, é que conhecimento no Brasil há tempos não vale NADA. E se de repente a internet mudou alguma coisa em relação a isto, é uma grande novidade. É uma nova história que começou na década de 90, mas talvez ainda precise de alguns séculos para mudar o povo.

Se você não teve nada, mas nasceu com uma cabecinha abençoada; se você teve a sorte de conviver em algum meio que incentivou seu interesse pelo conhecimento, se pode se dar ao LUXO de dedicar-se a qualquer tipo de estudo em um país de maioria miserável, parabéns. Você é um privilegiado. Pense nisso antes de criticar seu povo e aproveite para pensar bastante antes das próximas eleições - já que você pode.

“Não tenho paciência com gente ignorante”.
Certo. E eu não tenho paciência com arrogância.

postado por Lina Love

Todo mundo já escreveu uma carta para alguém por quem estava apaixonado(a) ou para o(a) namorado(a), ou para um amor escondido, ou para um amor acabado, ou para algum amor inacabado, ou saudoso, ou mal resolvido.
Um dos conselhos que eu tive nessa vida de melhor amiga foi: escreva, mesmo que não resolva nada, escreva porque você vai se sentir melhor. Comigo não funcionou. Não funcionou e ainda me deixou com cara de tacho diante do ser a quem foi dada a carta.
Eu não sei se isso saiu de moda, mas quando eu tinha uns 16/18 anos, eu escrevia cartas para todos, eu reclamava, eu dizia tudo o que eu sentia e nem por isso o fulano se interessou mais por mim. Na verdade hoje me sinto um pouco patética por ter insistido em deixar claro meus sentimentos seja lá prá quem fosse. Se o fulano estivesse definitivamente afim de mim, ele teria curiosidade por isso. As notícias chegavam fresquinhas prá ele, sem ele nem mesmo precisar sair de casa ou pegar no telefone. Dessa maneira, eu me tornava pouco interessante e me guardava de ter que ser ignorada.
Explico. Quando você deixa o tempo agir, as respostas podem ser muitas, mas se você nem sequer espera, não tem a surpresa que gostaria e não tem a frustração com a qual acaba tendo que lidar em uma investida negativa (O que te faz crescer muito e entender melhor como funcionam os relacionamentos).
A uns anos atrás, após um casamento acabado e muita dor no coração, passei um tempo saindo por aí atrás de grandes aventuras. Quando você se enche de coragem e sai correndo sem rumo, o que geralmente acontece é que você não olha para os lados, esquece as sutilezas e não percebe os pormenores.
Entre essas correrias, é claro que eu não estava sozinha, eu tinha amigas passando por situações parecidas e nós nos dávamos aquele super crédito por ter saído com um gatinho da balada e ter passado uma noite com ele, o que acabava por segurar aquela onda triste do fim de semana sozinha.
Uma das grandes amigas, que estava tão ou mais perdida do que eu, depois de muita dor de cabeça, muitos beijos e corpos expostos, resolveu que não se daria por contente com esses homens que ‘vem na minha casa, tem uma tarde e noite incríveis comigo e não me procuram nunca mais, o que eles pensam que eu sou?’ eles pensam que você é essa confusão ambulante que não sabe prá que lado quer ir. Eu mesma não tinha essa clareza, claro.
Enfim, minha amiga escreveu uma carta de 27 páginas. Sim, 27 páginas, tudo bem, espaçamento duplo e fonte tamanho 14, mas vá lá… e mandou para 6 caras diferentes. A mesma carta, 6 caras diferentes.
‘O que eles pensam de mim?’ Eles vêem, minha querida, que para você não importa o nome, todos eles cabem nesse seu estereótipo equivocado de homem que você morre de medo de ter que enfrentar.

E assim eu hoje morro de medo de escrever uma carta de amor. Eu morro de medo de expor as coisas que sinto àqueles que são muito próximos. E sigo tentando me entender.

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