Num dos últimos posts, falei sobre cor de pele e os preconceitos que rondam em torno das pessoas com cores “extremas”. Lembro de ter comentado que cor de pele não faz diferença no que a pessoa realmente é. Mas para o governo, faz diferença sim.
Encontrei uma amiga da minha mãe e entre uma conversa e outra, ela me disse que sua filha não passou no vestibular mais uma vez. Eu conheço a menina. De família humilde, sempre estudou em escolas do governo e ralou pra caramba pra ser uma aluna exemplar. A menina é uma enciclopédia ambulante. Ou melhor, o Google ambulante. E pode não fazer sentido agora para você, neste parágrafo, mas ela é loira.
Pois bem, a menina não passou no vestibular. Não sei quantos pontos era pra ela ter feito, mas suponhamos que tenha feito 80 pontos. Um outro cidadão fez 70. E por incrível que pareça, ele passou. Ah, ele é negro.
Sei que a intenção do governo pode ser boa em adotar esse sistema de cotas; o que eles pregam é que os negros precisam entrar no mercado. Agora, me digam: Desde quando um negro tem menos capacidade que um branco pra fazer uma faculdade? Desde quando ele tem que ganhar uns pontos de esmola para poder passar na frente de um branco?
Bom, se eu fosse negra não ficaria contente com essa resolução. Na minha opinião, é um racismo velado. Eu gostaria de poder passar pelos meus próprios méritos, não precisando de caridade. E qualquer um pode passar com a sua própria inteligência, sem precisar tirar pontos de quem se esforçou mais.
Tenho um grande exemplo na família, meu pai. Já passou fome, frio, não tinha dinheiro para nada. Mas se esforçou, ia pra escola, escrevia em papel de pão as lições e hoje é um brilhante médico formado pela USP.
Posso estar errada em relação a isso, mas é o que penso. Acho que nada vem pra gente sem esforço, sempre temos um preço a pagar. E se vier, desconfio muito, no final nunca dá certo.







