Sistema de cotas

1.abr
2009
postado por Nick Nicks

Num dos últimos posts, falei sobre cor de pele e os preconceitos que rondam em torno das pessoas com cores “extremas”. Lembro de ter comentado que cor de pele não faz diferença no que a pessoa realmente é. Mas para o governo, faz diferença sim.

Encontrei uma amiga da minha mãe e entre uma conversa e outra, ela me disse que sua filha não passou no vestibular mais uma vez. Eu conheço a menina. De família humilde, sempre estudou em escolas do governo e ralou pra caramba pra ser uma aluna exemplar. A menina é uma enciclopédia ambulante. Ou melhor, o Google ambulante. E pode não fazer sentido agora para você, neste parágrafo, mas ela é loira.

Pois bem, a menina não passou no vestibular. Não sei quantos pontos era pra ela ter feito, mas suponhamos que tenha feito 80 pontos. Um outro cidadão fez 70. E por incrível que pareça, ele passou. Ah, ele é negro.

Sei que a intenção do governo pode ser boa em adotar esse sistema de cotas; o que eles pregam é que os negros precisam entrar no mercado. Agora, me digam: Desde quando um negro tem menos capacidade que um branco pra fazer uma faculdade? Desde quando ele tem que ganhar uns pontos de esmola para poder passar na frente de um branco?

Bom, se eu fosse negra não ficaria contente com essa resolução. Na minha opinião, é um racismo velado. Eu gostaria de poder passar pelos meus próprios méritos, não precisando de caridade. E qualquer um pode passar com a sua própria inteligência, sem precisar tirar pontos de quem se esforçou mais.

Tenho um grande exemplo na família, meu pai. Já passou fome, frio, não tinha dinheiro para nada. Mas se esforçou, ia pra escola, escrevia em papel de pão as lições e hoje é um brilhante médico formado pela USP.

Posso estar errada em relação a isso, mas é o que penso. Acho que nada vem pra gente sem esforço, sempre temos um preço a pagar. E se vier, desconfio muito, no final nunca dá certo.

postado por Nick Nicks

Nada melhor do que “a minha pessoa” para falar sobre cor da pele. Imaginem alguém branco. Agora imaginem esse alguém branco depois de um banho de água sanitária e OMO. Esse sou eu. Ou melhor, essa sou eu.

Agora imaginem um dia de calor fortíssimo, onde tudo o que desejo é usar saia e regata para não morrer derretida. Agora imaginem essa pessoa BRANCA, com saia e regata. Agora imaginem uma platéia extremamente brasileira e morena me observando. O que essas pessoas diriam, podem imaginar os comentários, certo? Vai desde “Nossa, porque você não toma um sol?” até “Afe, vou colocar uns óculos porque você está irradiando luz!”.

Aí, pergunto eu: Em qual livro está escrito que devemos ter determinada cor ou ser de determinado tipo físico? Bom, alguém me ajude, porque se essa leitura for obrigatória, vou repetir o ano. Ou alguém avise papai do céu para me pintar, porque só ele faz milagres.

Além de toda a sorte de piadinhas que já ouvi, este último feriado vi uma coisa na TV que me deixou irritadíssima. O programa era aquele da GNT, com a apresentadora Taís Araújo (que por sinal, é uma negra lindíssima, e ela seria linda com qualquer cor de pele). O especial se chamava “Verão – Branquinhas”. Fiquei animadíssima quando vi o nome do programa, porque raramente se vê algum especial para meu tipo de pele.

Só que peguei o finalzinho. Apareceu a Camila Morgado (branquinha e loirinha) dizendo quais suas dicas para não torrar ao sol e também contando sobre algumas situações desagradáveis que passou por causa do seu tom de pele. Logo após a atriz ter aparecido, entra uma outra, que não é muito conhecida, nem me lembro o nome. Aí ela conta à apresentadora que ela não tem dificuldade em ficar dourada, só prefere se ver no espelho mais branca, que fica mais bonita assim. A apresentadora arregalou uns olhões e deu a entender, em suas palavras, que a menina só podia estar doida de pensar assim. E que ainda bem que ela pensava assim, senão não teria pra ninguém, de tão linda que já era, imagine morena.

Fiquei pasma ao ver que a opinião da apresentadora, que até então estava dando dicas legais para as mais claras, deixou escapar um certo espanto ao ver que alguém gosta de ser branca ou também que está cheio de gente por aí que admira a pele clara. Bom, se ela não gosta, deveria ter guardado para ela. Ficou feio, viu, Taís?

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