postado por Kitty Messy

Ultimamente andava fazendo coisas inexplicáveis. Coisas que nunca fizeram parte da minha natureza. E tudo começou porque não sei dizer não. Simplesmente não sei dizer, para qualquer pessoa: “Sinto muito, mas não posso fazer isso”. É muito triste. Porque a cada “sim” contrariado, sinto um nó no meu estômago que parece que vai me matar. Mas mesmo assim, vou lá e faço.

Agora estava ficando pior, eu não estava arrumando tempo para tantos “sins”. Aí me comprometia, mesmo sabendo que talvez não conseguisse por N motivos e acabava me queimando com a pessoa. Tanto pior.

Aí, ontem à noite, li uma frase de um pensador chamado Roberto Shinyashiki, assim: “Viver de acordo com as expectativas dos outros é suicídio”. E percebi o quanto estava me matando aos pouquinhos querendo agradar todo mundo, me sentindo culpada por cada coisa que deixava de fazer pelos outros. E eu, onde fico nessa história?

Hoje resolvi que vou mudar. Pelo menos é um primeiro passo, acho. Acredito que tem muita gente que está vivendo isso também, e espero que tomem essa decisão o mais rápido possível, é libertadora. Claro, é muito fácil falar em mudar, o difícil é fazer. Ainda mais uma coisa enraizada na gente. Mas acredito que querer é poder sim. E citando novamente o pensador: “Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa”.

postado por Lina Love

O problema foi que eu fiz análise por 12 anos.

Não é aquela terapia, que dura 2 anos, resolve uma coisa ou outra, te ajuda a perceber umas outras, e corre pro abraço.

A psicanálise é uma história muito diferente. Mexe com as coisas que você esconde de todo mundo, aquelas que fazem você ficar mau humorada por dias e não quer nem saber porque, mas culpa todo mundo por isso.

O mais complicado talvez seja você se dar conta de que a infelicidade e a frustração da sua vida são exclusivamente culpa sua. O que eu digo é que essa é a ficha mais difícil de cair. E muitas vezes ainda me pego querendo me enganar de que os outros não prestam e só causam minha ruína.

É uma escolha muito solitária. Mas me parece muito mais sensata. Acho que as pessoas que escolhem saber um pouco mais de si já tem minha admiração por ter coragem de cavar esse buraco de fora para dentro, essa escuridão que tá dentro da gente.

Eu descobri muitas coisas nesses 12 anos. E muitas vezes eu me recusei a ir até lá enfrentar mais uma vez esses fantasmas. Hoje, depois de já ter saído do processo de me deitar no divã, ainda mantenho meu olhar sobre as obscuridades que vivo.

O processo de olhar para si se mantém. E já não consigo mais me desvencilhar dele. E por isso vivo brigando comigo. Vivo de perceber que sou uma pessoa como as outras, que sofre quando não quer ir trabalhar, que odeia trânsito, que fica cansada de gente chata, que tem ciúme, que tem raiva. O que me deixa feliz é que me encontro com esses sentimentos e eles sempre tem algo novo a me dizer sobre mim e sobre a possibilidade de mudar.

Não importa quantos anos eu tenha, sempre estou atenta aos momentos da necessidade urgente de mudar de caminho, porque senão a vida pára.

E se todo dia eu não viver o sentido de estar viva, eu morro.

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