postado por Nick Nicks

Tudo começou com fraldas e garrafas. Depois vieram copos, pratos e talheres. Em pouco tempo, a idéia do Descartável virou um sucesso mundial.

Antigamente, quando o salto de um sapato quebrava, você consertava. Quando uma calça rasgava, você costurava. Quando a festa terminava, as pessoas lavavam os copos para a próxima festa.

Hoje em dia é tudo muito mais prático. Ninguém precisa consertar o sapato, porque tem outro igual logo ali na esquina. Ninguém precisa costurar a calça, porque tem um modelo novo logo ali na próxima estação. E ninguém mais precisa lavar a sujeira da festa, porque é tudo feito de plástico.

Tudo feito para não durar. Para poupar nosso tempo precioso e gerar mais vendas, mais consumo.

O Descartável foi uma idéia incrivelmente boa. O problema é que ela girou a economia com tal violência, que acabou girando junto a cabeça das pessoas. E de modelo econômico, passou a ser um modelo de comportamento.

Ninguém mais quer consertar um relacionamento, por exemplo. Quando uma paixão perde o prazo de validade, as pessoas procuram novidade. Um novo modelo para a próxima estação.

Ninguém mais quer limpar a sujeira entre duas pessoas, por exemplo. Conforme a idéia do Descartável, o negócio é jogar tudo fora ou podemos perder muito tempo. E tempo, como todos já sabem, é dinheiro!

Pensar dá trabalho. Questionar é perda de tempo. Just do it! Namoros, casamentos e amizades. Tudo de plástico! Tudo de acordo com as leis do Descartável, para facilitar a nossa vida.

Contrariando Lavoisier, hoje em dia tudo se perde, nada se transforma.

postado por Lina Love

Todo mundo já escreveu uma carta para alguém por quem estava apaixonado(a) ou para o(a) namorado(a), ou para um amor escondido, ou para um amor acabado, ou para algum amor inacabado, ou saudoso, ou mal resolvido.
Um dos conselhos que eu tive nessa vida de melhor amiga foi: escreva, mesmo que não resolva nada, escreva porque você vai se sentir melhor. Comigo não funcionou. Não funcionou e ainda me deixou com cara de tacho diante do ser a quem foi dada a carta.
Eu não sei se isso saiu de moda, mas quando eu tinha uns 16/18 anos, eu escrevia cartas para todos, eu reclamava, eu dizia tudo o que eu sentia e nem por isso o fulano se interessou mais por mim. Na verdade hoje me sinto um pouco patética por ter insistido em deixar claro meus sentimentos seja lá prá quem fosse. Se o fulano estivesse definitivamente afim de mim, ele teria curiosidade por isso. As notícias chegavam fresquinhas prá ele, sem ele nem mesmo precisar sair de casa ou pegar no telefone. Dessa maneira, eu me tornava pouco interessante e me guardava de ter que ser ignorada.
Explico. Quando você deixa o tempo agir, as respostas podem ser muitas, mas se você nem sequer espera, não tem a surpresa que gostaria e não tem a frustração com a qual acaba tendo que lidar em uma investida negativa (O que te faz crescer muito e entender melhor como funcionam os relacionamentos).
A uns anos atrás, após um casamento acabado e muita dor no coração, passei um tempo saindo por aí atrás de grandes aventuras. Quando você se enche de coragem e sai correndo sem rumo, o que geralmente acontece é que você não olha para os lados, esquece as sutilezas e não percebe os pormenores.
Entre essas correrias, é claro que eu não estava sozinha, eu tinha amigas passando por situações parecidas e nós nos dávamos aquele super crédito por ter saído com um gatinho da balada e ter passado uma noite com ele, o que acabava por segurar aquela onda triste do fim de semana sozinha.
Uma das grandes amigas, que estava tão ou mais perdida do que eu, depois de muita dor de cabeça, muitos beijos e corpos expostos, resolveu que não se daria por contente com esses homens que ‘vem na minha casa, tem uma tarde e noite incríveis comigo e não me procuram nunca mais, o que eles pensam que eu sou?’ eles pensam que você é essa confusão ambulante que não sabe prá que lado quer ir. Eu mesma não tinha essa clareza, claro.
Enfim, minha amiga escreveu uma carta de 27 páginas. Sim, 27 páginas, tudo bem, espaçamento duplo e fonte tamanho 14, mas vá lá… e mandou para 6 caras diferentes. A mesma carta, 6 caras diferentes.
‘O que eles pensam de mim?’ Eles vêem, minha querida, que para você não importa o nome, todos eles cabem nesse seu estereótipo equivocado de homem que você morre de medo de ter que enfrentar.

E assim eu hoje morro de medo de escrever uma carta de amor. Eu morro de medo de expor as coisas que sinto àqueles que são muito próximos. E sigo tentando me entender.

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