postado por Lisa Lips

Te dizem: ” o tempo é o melhor remédio!”

Muitas pessoas passam por dores, amores não correspondidos ou traições. Quando dizem para nós que o tempo cura qualquer dor, não dá vontade de socar? Ao mesmo tempo faz senetido, pois passamos por muitas coisas. Algumas guardamos dentro de nós como bombas relógio e o tempo realmente não cura.

Temos compartimentos no nosso cérebro, onde guardamos pessoas, momentos e um enorme para as dores. É sim, o compartimento da dor é maior, parecemos dar maior importância a crueldade do que a coisas boas. Não sei porque o ser humano é assim.

Mas enfim, no momento da raiva, não queremos ouvir “o tempo vai curar”. Queremos ouvir: É tem que se ferrar mesmo, vou matar essa pessoa, isso ai, sua dor tem razão de existir. Queremos alimentar essa sensação.

De uma forma estranha, acho até legal fomentar pra desafogar. Tipo, chute uma árvore até sangrar o pé. Precisa mesmo tirar isso dentro do peito, melhor isso do que ser uma bomba ambulante. Se eu estiver alimentando a violência, me perdoem, não é minha intenção. A intenção é promover o box, o kung fu e o chute a seringueiras.

O tempo é o melhor remédio sim, mas para depois da descarga. Não dá pra sair por ai com algo enorme, guardado no cérebro. Melhor se livrar disto antes. Melhor é enfrentar o que precisa ser resolvido.

Tenho a sensação de ter muitas coisas guardadas na grande gaveta das mágoas e meio que me arrependo de não poder hoje, resolvê-las. È como ter roupas cheirando a naftalina. A coisa fica ali fedendo e parece que não nos deixa livres. Ficamos presos a um passado, o corpo pesa e um dia a bomba explode.

Se conselho fosse bom, haveriam conselheiros milhonários. Então nada de dizer “o tempo cura tudo”, apesar de ser uma verdade. Eu já disse isso a muitas pessoas e as pessoas ficaram com mais raiva ainda. No momento oportuno, essa frase soará bem melhor. Na raiva, não a razão.

postado por Nick Nicks

Até ontem mesmo eu estava péssima por causa do trabalho. Chorei, discuti com algumas pessoas, perdi o sono, deixei de sair com meu namorado porque estava chateada.

Hoje, às 5 da tarde, minha irmã ligou dizendo que meu pai estava na UTI do INCOR (Instituto do Coração aqui de São Paulo). Desliguei o telefone, juntei as coisas e saí correndo. Larguei tudo do jeito que estava sem pensar duas vezes e sem dar a mínima para a situação em volta de mim. 

Em questão de 15 segundos, que foi o tempo da ligação, o stress profissional perdeu a importância na minha vida. De um “problema” que tirou meu sono, de repente ele virou uma mera futilidade cotidiana.

Infelizmente, não é a primeira vez que isto acontece com meu pai. E infelizmente também, estes recados que a vida manda nunca são suficientes para mostrar o quanto a gente se preocupa com coisas idiotas.

Eu poderia ficar dois dias aqui falando sobre o que realmente importa nesta vida e não adiantaria nada para quem está puto com algum amigo ou com a profissão. Da mesma forma, quando o dia de hoje se ver longe de mim, eu também vou esquecer, mais uma vez, do real significado das coisas.

A massacrante maioria das pessoas, assim como eu, precisa doer para sentir o valor das coisas. Ao mesmo tempo, parece que a Dona Dor é uma péssima professora, porque nenhuma lição é o bastante para que a gente realmente aprenda, nem serve de exemplo para outros alunos.

Se Deus fez o homem conforme sua imagem e semelhança, ele deve ser um cara masoquista.

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