postado por Nick Nicks

Este texto é uma colaboração de uma grande amiga chamada Dedé. Grande mesmo. Tão grande que é ENORME de grande amiga! Se quiserem deixar mensagem para ela, usem a caixa de comentários do blog. Nós liberamos tudo para ela ver. :]

Eu estava na manicure outro dia e tinha um casal com um filho de uns 2 anos, cortando o cabelo do moleque. O cabeleireiro era lento feito um congestionamento na Paulista às 6 da tarde e a mãe botava terror, dizendo que se ele mexesse, o moço ia cortar a orelha dele fora.

Esta mesma mãe olhava para o pai e dizia: “Ai, as fotos que a gente tira vão ficar muito melhores agora, com o cabelo arrumadinho!” - Porra… É um filho ou um quadro?

Meia hora depois o moleque ainda estava sentado na cadeira, a mãe segurando a cabeça dele com as duas mãos, quase feito uma tortura, e nada de terminar o processo. Nisso, eu puxo assunto com a manicure e ela me diz o seguinte: “Ah, com criança é assim mesmo. Tem que entender que precisa cortar o cabelo e pronto. E tem que ficar quietinho!”

Nesta hora lembrei de algumas frases soltas que aparecem em milhares de palestras motivacionais e entrevistas de emprego, dessas que todo mundo já cansou de ouvir: ” Senhores, a criatividade e a liderança são fundamentais para o sucesso”, “Precisamos aprender a respeitar as diversidades culturais e sociais”. Ou então, a mais batida dos últimos tempos: “Pensando fora da caixa em 10 lições práticas”.

Eu me pergunto se não é uma contradição a forma opressiva como educamos nossos filhos em relação ao que esperamos deles no futuro. Quer coisa mais “pessoal da própria pessoa” do que cabelo? Tomar banho OK, é questão de higiene e saúde. Escovar os dentes também. Mas cortar o cabelo??

O cabelo é do cara, não da mãe. Que diferença faz se ficar maior ou menor? Nenhuma! Além do que, o carinha não aguentava mais.

Por outro lado, como será que a repetição diária desta educação opressiva vai colaborar para a formulação da personalidade dos nossos filhos? Bicho judiado nunca fica livre de novo.

postado por Nick Nicks

O que está acontecendo com a boa educação, meu Deus? O que está acontecendo com o respeito mútuo?

Semana passada, estava voltando para casa e como sempre, peguei o ônibus. Sempre é uma multidão de gente se empurrando, se acotovelando que só vendo. Todo mundo louco para ir para casa e muito pouco ônibus para tanto. Fora aquele trânsito de amargar.

Pois bem. Estava em pé, espremida, literalmente, quando vejo uma senhora muito velhinha mesmo em pé com uma bolsa gigantesca na mão. Fiquei doida que ninguém se levantava para aquela senhora se sentar. Está certo que estava difícil se movimentar lá dentro, mas acredito que com paciência e devagarzinho, todo mundo conseguiria dar espaço para a vovó.

Quando finalmente ela consegue se sentar (eu cutuquei um cidadão que estava “dormindo” no banco), notamos todos um cheiro estranho. O que ocorreu é que a senhorinha, que provavelmente morava na rua, tadinha, estava bem mal vestida e acredito que não via um bom banho há séculos.

Quando o ônibus parou no primeiro ponto do metrô, a maioria desceu, como sempre. Consegui me sentar e fiquei vendo a falta de educação e falta de respeito das pessoas. Não dava para acreditar. O cobrador foi falando bem alto com o motorista, incomodando todo mundo, dizendo que gente velha tinha que morrer logo, porque apodreciam por dentro. Daí para baixo. Ficava fazendo piadinhas, dizia que aquele cheiro horrível havia feito ele perder o sono, etc e tal. Um verdadeiro show de horrores aquele imbecil deu.

Eu, barraqueira que sou, quase arremessei o pesado livro que estava lendo na cara daquele idiota. Mas pensei e fiz melhor. Desci do ônibus, anotei a placa do infeliz e liguei para a SPTrans denunciando-o.

Espero de coração que algo seja feito com esse infeliz. Que ele não perca o emprego (até duvido que isso aconteça), mas que tome a maior lição de moral da vida dele. E Deus que me perdoe, mas quero ver só se esse cara chega à idade daquela senhorinha bem e cheiroso. E quero ver se vão respeitá-lo ou humilhá-lo em público.

É o que eu sempre digo: Aqui se faz, aqui se paga.

postado por Nick Nicks

“O povo brasileiro é acomodado”, “O povo brasileiro é ignorante por opção”, “O povo brasileiro não se interessa por conhecimento”, “Não tenho paciência com gente burra”.

Acomodação? O que existe de acomodação em acordar as 4 da manhã, pegar umas 3 conduções e trabalhar do outro lado da cidade pra ganhar 600 reais no final do mês? O que existe de acomodação em ter 2 turnos de trabalho para conseguir pagar as contas de casa e ajudar o povo da família que está desempregado? O que existe de acomodação em chegar tarde do trabalho porque o transporte público é um lixo e ainda ter que fazer comida e cuidar da casa?

Ignorante por opção? O que existe de opção no currículo das escolas públicas? E o que existe de opção no background de uma vida? Por acaso nós podemos escolher nossos pais, parentes, amigos ou os acasos cotidianos que mudam nossos caminhos? Podemos escolher nossa capacidade intelectual?

Desculpem, meus caríssimos brasileiros tão inteligentes e especiais, mas acomodação é ficar olhando o Brasil assim de longe, sem noção da realidade, sentado na confortável poltrona da arrogância sem fazer absolutamente nada a não ser alimentar o próprio ego com a pobreza dos outros. Seja esta pobreza material ou de espírito, isto é SOBERBA. Soberba Cultural. Tem muito disso no Brasil.

Sim, existem PRIVILEGIADOS que nasceram sem condições, mas acabaram se interessando pelo conhecimento em algum acaso da vida. Também existem os intelectualmente privilegiados (normalmente chamados de “inteligentes”) e os socialmente privilegiados. Ou você acha que todo europeu nasceu com o dom do interesse? Uma cultura milenar não faz diferença?

Infelizmente, muita gente acha que não. Tenho a nítida impressão de que, para a maioria das pessoas supostamente “esclarecidas”, a história pouco importa - o que me deixa realmente alarmada, já que se não importa para os privilegiados, para QUEM vai importar, não é mesmo? E este é o exemplo que vem de cima, vejam bem.

E outro dia um amigo disse assim:

- Mas eu corri atrás de aprendizado porque eu quis. Eu poderia ter usado a internet só pra ficar no Orkut, mas eu chafurdava conhecimento. Foi opção.

Opção incentivada por uma tia professora. E depois por uma casualidade - um colega de trabalho que sabia demais e acabou incentivando o sujeito. Família E meio.

Falar é fácil. É só colocar uma palavra do lado da outra, formar uma frase e atirar para o mundo. Pensar é que complica. E nenhum livro do mundo, nenhuma enciclopédia, nenhuma biblioteca e nenhuma escola particular, pelo jeito, está fazendo as pessoas pararem para pensar antes de concluir que o povo brasileiro não presta.

Nossos pais, nossa família, o meio em que vivemos, as oportunidades que aparecem no caminho e a POSSIBILIDADE de aproveitar estas oportunidades são apenas algumas das variáveis que levam alguém a se interessar pelo conhecimento, ou não. Mas tem gente que considera simplesmente uma opção. Simples assim: só é ignorante quem quer.

Responda pra mim então: ONDE este país ensina que conhecimento vale a pena? Quanto é o salário de um professor? Vou mais longe: QUANTO vocês acham que ganha um jornalista ou um médico remunerado por convênio? Em compensação, quanto ganha um publicitário? Quanto ganha uma atriz ruim e gostosa que sai na Playboy?

A verdade, caros amigos, é que conhecimento no Brasil há tempos não vale NADA. E se de repente a internet mudou alguma coisa em relação a isto, é uma grande novidade. É uma nova história que começou na década de 90, mas talvez ainda precise de alguns séculos para mudar o povo.

Se você não teve nada, mas nasceu com uma cabecinha abençoada; se você teve a sorte de conviver em algum meio que incentivou seu interesse pelo conhecimento, se pode se dar ao LUXO de dedicar-se a qualquer tipo de estudo em um país de maioria miserável, parabéns. Você é um privilegiado. Pense nisso antes de criticar seu povo e aproveite para pensar bastante antes das próximas eleições - já que você pode.

“Não tenho paciência com gente ignorante”.
Certo. E eu não tenho paciência com arrogância.

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