postado por Nick Nicks

Tadinho do São Mateus! Quando ele falou esta frase a Terra nem era redonda ainda. Os Estados Unidos não eram estados - muito menos unidos - a Xuxa ainda não tinha batido no primeiro pimpolho e Jesus Cristo não passava de um rebelde com mania de grandeza (e possivelmente esquizofrênico, já que alegava trocar uma idéia com Deus).

Antes de colocar a culpa em São Mateus, no entanto, é bom saber que junto com esta frase também vieram Leis (com L maiúsculo) que exigiam respeito, salário justo e reconhecimento para os trabalhadores.

Ah, Mateus! Eu sei que você tentou. Mas se estas Leis já não eram respeitadas com a supervisão do CEO do Universo em Pessoa, imagine agora que o capeta está no cargo.

O trabalho dignifica o homem? Que homem? Se a maioria das pessoas que eu conheço precisa mesmo é perder a dignididade para conseguir um salário no final do mês?

A única coisa que devolveria a dignidade destas pessoas seria sabe o que? O prêmio máximo da Megasena. Pelo menos assim elas poderiam mandar chefes e clientes idiotas pro inferno em alto estilo.

Você, por exemplo, se ganhasse na Megasena, continuaria trabalhando onde está? Ainda não conheço uma pessoa (nem umazinha) que respondeu SIM a esta pergunta. Tem alguma coisa errada, né? 

Com todo respeito a São Mateus e ao CEO do Universo, deixo aqui uma nova sugestão de “slogan” para o ganha-pão dos humanos: “O trabalho dignifica as empresas”. Melhor, né? Mais apropriado.

postado por Nick Nicks

“Porque você só está me passando este trabalho agora se ele entrou aqui semana passada?”

Resposta CORP MODE: ON

- Olha, no momento do Kick Off, percebemos algumas pendências estratégicas. E também acontece que o budget não estava de acordo com o escopo e foi preciso fazer uma reestruturação na proposta para reorganizar a locação de recursos. Realmente eu sei que agora o prazo está  justo, mas  este momento delicado exige uma disposição especial para que possamos absorver o impacto da melhor maneira possível.

Resposta SAP MODE: ON

- Olha, no momento daquelas reuniões inúteis, percebemos algumas cagadas fenomenais. E também acontece que o chefe 1 não estava de acordo com o chefe 2 e foi preciso fazer uma gambiarra na proposta para amenizar a Guerra de Egos. Realmente eu sei que agora o prazo está  insano, mas a incompetência generalizada exige o seu na reta para que possamos ficar bem na fita às suas custas da melhor maneira possível.

E se eu estiver errada, que caia um raio sobre a minha cabeça.

Ó… Não caiu.

postado por Nick Nicks

Pelo que eu percebo em ambiente profissional, homens e mulheres são igualmente fofoqueiros quando querem. Só muda o tipo de fofoca e a intenção.

As vezes a fofoca aparece só por diversão, simplesmente porque o caso é engraçado ou por curiosidade mesmo. É a Fofoca Fun.

Outra vezes é na base do desabafo. Alguém está puto com outra pessoa e de repente rola um Surto de Desentupimento da Veia Sacal. Ou seja: ao invés de esperar para desabafar entre amigos, o puto da vida não se aguenta e solta o verbo na primeira oportunidade que aparece, sem critério de ouvinte.

Apesar de ser fofoca, estes dois casos não prejudicam tanto como o que eu chamo de Fofoca Uó.

A Fofoca Uó tem duas intenções básicas:

1. Prejudicar alguém 

2. Compensar um problema de auto-estima.

A fofoca para prejudicar todo mundo identifica. Ou não? Eu, pelo menos, percebo fácil a diferença entre uma Fofoca Desabafo e a maldosa. A pessoa desabafando está puta, ou até parece controlada mas está passando por uma situação de stress.  Não tem nada de pessoal. O que existe é treta profissional temporária ou um evento isolado que irritou o fofoquento. 

A Fococa Uó com intenção de prejudicar não nasce no stress, nem em eventos isolados, mas em diferenças pessoais. Resumindo: eu não gosto de X e falo mal de X para outras pessoas, porque eu quero mais é que X exploda. É diferente de ESTAR puto com X. 

A Fofoca Uó mais comum em ambiente de trabalho, coincidentemente, é a menos identificada. Eu costumo chamar de Fofoca de Auto-Ajuda. Vou tentar explicar:

Nós seres-humanos (incluindo eu) geralmente somos muito rígidos no julgamento pessoal. Não vou entrar em detalhes científicos, mas o fato é que as vezes somos tão rígidos, mas TÃO rígidos, que não conseguimos enxergar claramente a imagem que fazemos de nós mesmos. Porque?

Porque esta imagem é péssima e não saberíamos lidar com ela. Então, a cabeça esconde de nós mesmos como uma forma de defesa, para que nossos dias não sejam miseráveis.

A Fofoca de Auto-Ajuda nasce justamente aí: na falta de auto-estima. 

Para os desavisados, ela parece gratuita. Falar mal da roupa de um, do cabelo da outra, da garota que ficou com não-sei-quem, do sujeito que é anti-social, daquele outro que fala com todo mundo, enfim, qualquer defeito encontrado nos outros serve para nos fazer sentir melhor.

Três casos típicos de Fofoca de Auto-Ajuda:

Ana fica com vários caras do escritório e Maria não ficou com ninguém. Lá no fundo, Maria não se acha atraente. Para não rolar uma crise de deprê que seria insuportável, a cabeça da Maria prefere atacar a Ana. Maria pode até ser muito bonita e parecer super segura. Mas lá no fundo, onde o espelho não alcança, talvez sinta-se incompetente em relação aos homens.

Paulo é um cara simpático e experiente.  Zé, por sua vez, é simpático e talentoso, mas precisa de mais experiência. Quando Paulo sobe de cargo, o Zé sai falando que ele só subiu porque é político. Lá no fundo, onde o espelho não alcança, o Zé não se acha competente. Ao invés de encarar esta insegurança, a cabeça dele prefere atacar o Paulo.

Edu teve uma educação rígida demais e, lá no fundo, não se acha “um bom menino”. Ana ficou com vários caras do escritório. Edu sai falando que Ana é vagabunda, porque assim ele alivia a sensação inconsciente de que não presta. Para não encarar o próprio julgamento, Edu julga e condena Ana.

Deu pra entender mais ou menos? Encontrar defeito nos outros é muito mais fácil do que lidar com a imagem que fazemos de nós mesmos. E muitas vezes, fofocar serve para desviar o foco real do problema -   olhando para os outros e não para dentro.

Fazer o quê para acabar com estas coisas?

Não dar atenção para fofoca de escritório, não passar adiante, desabafar só com seus amigos, procurar  melhor diversão em grupo do que a vida dos outros, chorar de vez em quando e aceitar que se acha um porcaria, para daí poder melhorar. Porque ninguém vai curar uma doença sem saber que tem.

Quanto a amigos que comentam coisas entre si, nem considero fofoca. Amigos compartilham opiniões e eventos cotidianos sem a intenção de espalhar. Todo mundo fala dos outros em algum momento. Eu falo, você fala, ele e ela falam. O segredo para não prejudicar os outros é manter estas coisas em conversas mais íntimas e não sair divulgando feito a revista Caras. 

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