Em algum momento da história a humanidade inventou a perfeição. Dizem que Deus criou o homem conforme sua imagem e semelhança. Eu já digo: - O homem criou a perfeição sob a imagem e semelhança de Deus. Mas quem consegue ser Deus? Se bobear, nem Ele aguentou o tranco.
Em algum momento os seres-humanos olharam para cima e disseram: ” - Que se faça a FamÃlia Divina”. E assim apareceu o primeiro comercial de margarina. Depois disseram: “- Que se faça o amor perfeito” - E veio a Meg Ryan. E a partir daÃ, a felicidade tornou-se inalcansável, porque nossos parâmetros ficam próximos do infinito - um lugar longe demais para chegar.
Sinto saudades da Grécia. Dos Deuses egoÃstas, traiçoeiros, vingativos, ciumentos e vaidosos. Estes sim foram criados sob a imagem e semelhança da humanidade. Histórias de traição, corações partidos, medos homéricos, monstros, desgraças familiares. Estes sim seriam parâmetros justos para a satisfação pessoal na Terra. Se tivessem persistido, talvez não estivéssemos sempre esperando pelos nossos espÃritos nos Campos dos Sonhos.
Nada contra sonhos, muito pelo contrário. O problema está na palavra Expectativa. É aà que moram as nossas maiores angústias e amarguras. Não esperar por nada? Aceitar o ruim? Não. Mas uma boa dose de realidade nos faria mais felizes. Entender que pais, mães, parentes e amigos são, antes de qualquer definição social, humanos. Entender que qualquer amor é, antes de qualquer romance, imperfeito.
Conscientemente, todo mundo sabe disso. Mas lá no fundo, onde moram a Meg Ryan e o Kevim Costner , ainda esperamos pelo Perfeito e ficamos extremamente frustrados quando não alcançamos o infinito.







