Desde pequena ouço isso da minha tia. Que tendo saúde, a gente pode correr atrás de qualquer prejuízo. Não importa se faltou emprego, você tem capacidade e pernas para correr atrás. Faltou dinheiro? Nossa criatividade e ânimo permitem inventar qualquer coisa para não morrer de fome.
A última passagem de ano me fez pensar bem no que dizia minha tia. Como nunca fico doente, qualquer coisinha me abala muito. E estando longe de casa e de qualquer médico competente conhecido, você topa qualquer coisa para melhorar.
Tudo começou num cruzeiro, logo que o navio começou a navegar. Como já tinha feito uma viagem dessas antes e nada tinha acontecido, não achei que fosse passar mal. Ledo engano. Já no primeiro dia meu ouvido começou a zunir, tremia muito, fiquei tonta, vomitei, desmaiei, tive dor de estômago e deixei o namorado e os amigos preocupados. Eles dizem que não, mas tenho certeza que aproveitaram menos do que gostariam.
No desespero, é claro, procurei os médicos do navio. Tomei uma quantidade absurda de remédios e injeções, o que fez com que meu estômago gritasse: “Ô! Cê tá lôca?” Aí fiquei com uma super gastrite, o que me levou a mais remédios para curar a enorme quantidade de remédios que já tinha tomado. Incrível isso, não?
Resumo da ópera: Ainda estou tonta – ah, esqueci de falar o que tive, foi labirintite e cinetose, segundo os médicos – tenho pesadelos com o navio, meu estômago dói e descobri que tomei todos os remédios errados. Contei para o meu pai o que me deram para tomar e ele ficou arrepiado (detalhe, ele é otorrino). Até antibiótico para ANTRAX me deram.
O meu recado aqui é: Cuidem bem da saúde e, por favor, consultem médicos competentes, algum profissional que você tenha indicação. Também perguntem para a secretária qual faculdade fizeram. Hoje em dia há centenas de pessoas se formando em medicina em escolas de baixíssima qualidade. E com saúde, não se brinca. Não mesmo.






