postado por Nick Nicks

Fim de namoro. Primeiro a gente entra em pânico, chora, sai por aí descabelada, ligando para todas as amigas e colegas de trabalho, contando a mesma história um milhão de vezes para ver se entende o que aconteceu.

Depois de alugar todos os ouvidos conhecidos, a gente apela para os desconhecidos e conta nosso caso triste até para aquela tiazinha no ônibus, procurando algum conselho salvador.

Quando a gente finalmente aceita que acabou, entra na fase das culpas. E é justamente neste momento que a maioria das pessoas tem dificuldade para encontrar um meio-termo. Ou a culpa é só do cara que terminou, ou nós é que estragamos tudo!

Eu sou daquele tipo que se acha “estraga tudo”. Por mais que o cara seja um idiota e por mais que todo mundo fale isso, eu sempre encontro um problema meu para justificar o fim. Tipo: se EU não tivesse falado aquilo, se EU não tivesse brigado, se EU tivesse sido mais legal, se EU fosse mais bonita…

Tem uma grande amiga minha que é justamente o oposto: a culpa é invariavelmente do cara. Não existe defeito dela na relação, porque os caras terminam sempre por um único e óbvio motivo: eles são idiotas! E ponto final.

Duas cabeças diferentes, duas faltas de meio-termo. Uma se joga no buraco (eu). A outra foge (minha amiga). O ideal mesmo seria entender que um Relacionamento a Dois, como diz o próprio termo, precisa de DOIS para dar certo ou para degringolar.

Talvez seja menos doloroso colocar toda a culpa no outro, mas aí a gente não aprende nada. E corre o risco de cometer sempre os mesmos erros. Colocar toda a culpa em nós mesmos também não dá, ou acabamos com a nossa auto-estima.

Mas e aí, de quem é a culpa afinal de contas? Se não é do cara, nem da gente, quem vai responder pelo fim?

Coisas da vida. Já ouviu esta expressão? Eu sempre ouvi, mas nunca entendi. Porque eu sempre tive a necessidade de achar um culpado para tudo. Porque sempre me ensinaram que o ser-humano é uma raça separada em duas partes: os bons e os ruins. Então, quando um relacionamento terminava, eu precisava saber QUEM era o ruim.

Não existe totalmente ruim. Nem o todo bom. Quem acha que não erra nunca, está ensaiando a cegueira, quem acha que erra sempre está cultivando depressão. Acreditem! O ser-humano não é anjo, nem demônio. É só humano mesmo. ;]

postado por Nick Nicks

Tudo começou com fraldas e garrafas. Depois vieram copos, pratos e talheres. Em pouco tempo, a idéia do Descartável virou um sucesso mundial.

Antigamente, quando o salto de um sapato quebrava, você consertava. Quando uma calça rasgava, você costurava. Quando a festa terminava, as pessoas lavavam os copos para a próxima festa.

Hoje em dia é tudo muito mais prático. Ninguém precisa consertar o sapato, porque tem outro igual logo ali na esquina. Ninguém precisa costurar a calça, porque tem um modelo novo logo ali na próxima estação. E ninguém mais precisa lavar a sujeira da festa, porque é tudo feito de plástico.

Tudo feito para não durar. Para poupar nosso tempo precioso e gerar mais vendas, mais consumo.

O Descartável foi uma idéia incrivelmente boa. O problema é que ela girou a economia com tal violência, que acabou girando junto a cabeça das pessoas. E de modelo econômico, passou a ser um modelo de comportamento.

Ninguém mais quer consertar um relacionamento, por exemplo. Quando uma paixão perde o prazo de validade, as pessoas procuram novidade. Um novo modelo para a próxima estação.

Ninguém mais quer limpar a sujeira entre duas pessoas, por exemplo. Conforme a idéia do Descartável, o negócio é jogar tudo fora ou podemos perder muito tempo. E tempo, como todos já sabem, é dinheiro!

Pensar dá trabalho. Questionar é perda de tempo. Just do it! Namoros, casamentos e amizades. Tudo de plástico! Tudo de acordo com as leis do Descartável, para facilitar a nossa vida.

Contrariando Lavoisier, hoje em dia tudo se perde, nada se transforma.

postado por Nick Nicks

Presentinhos bobos de surpresa, pequenas mensagens durante o dia, uma flor de vez em quando, um ollhar no fundo dos olhos, um bate-papo íntimo e meio filosófico sobre a sua alma, aquelas coisas que você não diz para todo mundo, tipo “eu sinto a sua falta”, “você é muito importante pra mim”, “estou com saudades”, “eu gosto de ouvir sua voz”.

Sabe todos aqueles recursos que você usa para conquistar alguém? Pois é. Não é à toa que eles funcionam. Todo mundo gosta e são justamente estas pequenas coisas que fazem a grande diferença entre namoro e amizade. Sexo? Bah! Pra isso você não precisa namorar nem ser amigo. Não é na cama que está a diferença entre namoro e amizade.

Algumas pessoas dizem que ”manter estas coisas durante um relacionamento é impossível”. Ah é? Impossível porque? Ainda mais hoje que você não precisa nem levantar a bunda da cadeira para ser romântico. Tem Orkut pra deixar scrap, tem Blip.fm para dedicar uma música, tem Twitter e SMS para mandar mensagem, tem e-mail para mandar um Oi.

Dizer que estas coisas são “bobagem” é praticamente um atestado de burrice.  Se todo mundo na face da Terra usa o romantismo como recurso de conquista e sabe por experiência própria que DÁ CERTO, como é que negam depois? Em que momento o óculos perde a validade? Ou é cegueira seletiva?

A certeza de que conquistamos alguém pode ser, ao mesmo tempo, um atestado para o fim do relacionamento. Porque tudo que você conquista nesta vida precisa de cuidado para continuar sendo seu - desde um emprego, até os amigos, um imóvel ou até mesmo um carro. Não cuidou, pode perder, quebrar ou estragar. Porque seria diferente com os relacionamentos?

Viver junto não é simplesmente enfurnar-se na mesma casa ou nos mesmos programas. Para isto nós temos os amigos que, inclusive, costumam ter os mesmos gostos que nós. Se for para dividir a casa com um amigo, é até preferível que seja do mesmo sexo, inclusive porque funciona melhor na hora de escolher o canal da TV, o som e as tarefas domésticas.

Hoje, ao invés de investir em um relacionamento de anos, as pessoas preferem separar-se e começar um relacionamento novo, com todas as novidades que vêm no pacote. “Ah, acabou o amor”.

Não, não, amigo. O que acabou foi a paixão. E paixão morre mesmo, principalmente de fome. E o pacote novo também vai acabar um dia se você deixar o tempo agir por conta própria. Porque o tempo só constrói com a nossa ajuda. Sem uma intervenção positiva, o tempo só destrói.

Hoje em dia, romantismo é supérfluo. Um celular sim é item essencial. Ou uma conexão rápida. Ninguém mais tem tempo para bobagens no dia-a-dia. Tem muita gente no mundo, tem muita gente nas redes sociais querendo companhia, tem muita gente interessante por aí. Para que perder tanto tempo precioso investindo em uma pessoa só? 

Bem-vindos ao mundo das conexões rápidas.

postado por Nick Nicks

Olha… Eu nem me lembro de quantos pés na bunda já tomei, viu? Tá bom, é mentira. Foram muitos e eu lembro sim. Mas não vou expor publicamente a minha lista de desilusões, até porque independentemente do tamanho, o motivo básico sempre foi o mesmo: não gostar o suficiente para ficar comigo.

“Mas não é tão simples assim, menina. As vezes você gosta da pessoa, mas não dá certo por algum outro motivo. Gostar não é o suficiente para manter um relacionamento, sabia?”

Tá bom, tá bom. Lógico que eu sei. Neste exato momento eu concordo plenamente. Acontece que, no auge do coração partido, o lado emocional do meu cérebro está cagando para os discursos do lado racional e eu preciso de um remédio mais rápido do que Compreensão - que geralmente só funciona em doses homeopáticas.  Homeopatia para Dor de Cotuvelo? Tô fora! Eu quero é analgésico na veia.

Quando eu chego à conslusão de que o sujeito não gosta de mim,  aceito a situação mais rápido. Porque é definitivo, sabe como? Não tem química, acabou, sei lá. Não rola e ponto final. Primeiro eu quase morro de chorar, lembro de todas as coisas erradas que fiz nesta vida, depois dá uma certa raiva do cara porque ele também não é perfeito, e é justamente com esta raiva que eu saio andando. Depois passa. O choro, a raiva, passa tudo.

Outro detalhe: se eu tentar entender a complexidade do ser-humano nestas horas, despenco em um abismo de falsas esperanças e fico empacada naquelas armadilhas insanas do Amor Platônico. Ah, eu me conheço. É aí que eu vou parar, pode ter certeza. Eu vou ficar um tempão naquele papo de “e se eu fizer isso”, “e se eu fizer aquilo”, “e se eu tivesse feito isso e aquilo”? E sabe do que adianta isto quando um não quer? Nada! Se um não quer, dois não ficam.

O raciocínio mais analgésico pra mim nestes momentos é o seguinte: Seja qual for o motivo de um NÃO, o resultado é sempre o mesmo. Não rola.  E se não rola, é porque o cara não gosta tanto assim de mim. Raciocínio fraco? Pode ser. Mas o analgésico é forte. Seguem algumas doses que eu já tomei por aí:

Nós somos muito diferentes. 

Esta eu já ouvi antes e depois de começar. Diferentes? Defina diferentes. Gostos? Jeito de ver a vida? Planos para o futuro? Meus pais são dois opostos completos e estão juntos há 50 anos (e felizes - importante citar). Justamente por serem diferentes, aprenderam um com o outro. O mundo cresceu no meio das diferenças. Desculpe, mas esta não cola. Quem gosta de verdade quer tentar. Não tem nada assim tão fácil nesta vida mesmo. Quer moleza? Namore com um pudim.

Não quero correr o risco de perder a nossa amizade.

Xi, foi mal, cara. Porque, a partir do momento em que eu comecei a gostar de você a amizade foi pro saco. Já era. Quer me dar outra desculpa? Eu espero você inventar, sem problemas. Agora, se você preferir, pode me falar a verdade mesmo: “Eu não tenho atração por você.”  Vai doer mas é um Santo remédio. Porque eu vou realmente desistir de você. Não vou ficar alimentando seu Ego junto com as minhas falsas esperanças. Pode ser? 

Você precisa de alguém mais legal do que eu - O problema sou eu, não você.

Tá bom, vai. É até bacana isto de jogar a culpa em você para que eu não me sinta tão mal. Mas aí eu posso cair naquela história sem fim de tentar ajudar você, de ser sua amiga até que você fique melhor e tal… Sabe como? A esperança é a última que morre. Então, eu peço, por favor: ACABE COM AS MINHAS ESPERANÇAS! Obrigada. 

Eu não estou bem. Preciso ficar sozinho.

Tá bom. Tchau. (Esta não merece nem comentários, afinal de contas o cara quer ficar sozinho, certo? Então o negócio é fazer a vontade dele o mais rápido possível)

Nossos caminhos tomaram rumos diferentes.

Peraí, peraí… Você está mudando de país? De planeta? Você não gosta mais de mulher? Que caminho é este onde a gente nunca se encontra?  Não tem ônibus pra lá? Nem um banquinho de praça pra gente se encontrar na hora da merenda?  Meu Deus, pra onde você está indo? Pro inferno? Ah, tá. Tudo bem. Pode ir tranquilo que eu fico por aqui.  Aproveita que vai cruzar com o capeta e pergunta se existe alguma desculpa melhor para “não gosto mais de você”.

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