postado por Nick Nicks

Pelo que eu percebo em ambiente profissional, homens e mulheres são igualmente fofoqueiros quando querem. Só muda o tipo de fofoca e a intenção.

As vezes a fofoca aparece só por diversão, simplesmente porque o caso é engraçado ou por curiosidade mesmo. É a Fofoca Fun.

Outra vezes é na base do desabafo. Alguém está puto com outra pessoa e de repente rola um Surto de Desentupimento da Veia Sacal. Ou seja: ao invés de esperar para desabafar entre amigos, o puto da vida não se aguenta e solta o verbo na primeira oportunidade que aparece, sem critério de ouvinte.

Apesar de ser fofoca, estes dois casos não prejudicam tanto como o que eu chamo de Fofoca Uó.

A Fofoca Uó tem duas intenções básicas:

1. Prejudicar alguém 

2. Compensar um problema de auto-estima.

A fofoca para prejudicar todo mundo identifica. Ou não? Eu, pelo menos, percebo fácil a diferença entre uma Fofoca Desabafo e a maldosa. A pessoa desabafando está puta, ou até parece controlada mas está passando por uma situação de stress.  Não tem nada de pessoal. O que existe é treta profissional temporária ou um evento isolado que irritou o fofoquento. 

A Fococa Uó com intenção de prejudicar não nasce no stress, nem em eventos isolados, mas em diferenças pessoais. Resumindo: eu não gosto de X e falo mal de X para outras pessoas, porque eu quero mais é que X exploda. É diferente de ESTAR puto com X. 

A Fofoca Uó mais comum em ambiente de trabalho, coincidentemente, é a menos identificada. Eu costumo chamar de Fofoca de Auto-Ajuda. Vou tentar explicar:

Nós seres-humanos (incluindo eu) geralmente somos muito rígidos no julgamento pessoal. Não vou entrar em detalhes científicos, mas o fato é que as vezes somos tão rígidos, mas TÃO rígidos, que não conseguimos enxergar claramente a imagem que fazemos de nós mesmos. Porque?

Porque esta imagem é péssima e não saberíamos lidar com ela. Então, a cabeça esconde de nós mesmos como uma forma de defesa, para que nossos dias não sejam miseráveis.

A Fofoca de Auto-Ajuda nasce justamente aí: na falta de auto-estima. 

Para os desavisados, ela parece gratuita. Falar mal da roupa de um, do cabelo da outra, da garota que ficou com não-sei-quem, do sujeito que é anti-social, daquele outro que fala com todo mundo, enfim, qualquer defeito encontrado nos outros serve para nos fazer sentir melhor.

Três casos típicos de Fofoca de Auto-Ajuda:

Ana fica com vários caras do escritório e Maria não ficou com ninguém. Lá no fundo, Maria não se acha atraente. Para não rolar uma crise de deprê que seria insuportável, a cabeça da Maria prefere atacar a Ana. Maria pode até ser muito bonita e parecer super segura. Mas lá no fundo, onde o espelho não alcança, talvez sinta-se incompetente em relação aos homens.

Paulo é um cara simpático e experiente.  Zé, por sua vez, é simpático e talentoso, mas precisa de mais experiência. Quando Paulo sobe de cargo, o Zé sai falando que ele só subiu porque é político. Lá no fundo, onde o espelho não alcança, o Zé não se acha competente. Ao invés de encarar esta insegurança, a cabeça dele prefere atacar o Paulo.

Edu teve uma educação rígida demais e, lá no fundo, não se acha “um bom menino”. Ana ficou com vários caras do escritório. Edu sai falando que Ana é vagabunda, porque assim ele alivia a sensação inconsciente de que não presta. Para não encarar o próprio julgamento, Edu julga e condena Ana.

Deu pra entender mais ou menos? Encontrar defeito nos outros é muito mais fácil do que lidar com a imagem que fazemos de nós mesmos. E muitas vezes, fofocar serve para desviar o foco real do problema -   olhando para os outros e não para dentro.

Fazer o quê para acabar com estas coisas?

Não dar atenção para fofoca de escritório, não passar adiante, desabafar só com seus amigos, procurar  melhor diversão em grupo do que a vida dos outros, chorar de vez em quando e aceitar que se acha um porcaria, para daí poder melhorar. Porque ninguém vai curar uma doença sem saber que tem.

Quanto a amigos que comentam coisas entre si, nem considero fofoca. Amigos compartilham opiniões e eventos cotidianos sem a intenção de espalhar. Todo mundo fala dos outros em algum momento. Eu falo, você fala, ele e ela falam. O segredo para não prejudicar os outros é manter estas coisas em conversas mais íntimas e não sair divulgando feito a revista Caras. 

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