postado por Nick Nicks

Em 1980 eu tinha 14 anos. E como qualquer adolescente saudável, gostava de música. Eu também gostava de novidades,  mas naquela época não era fácil descobrir bandas e sons diferentes, mesmo em uma cidade como São Paulo.

Imagine você que a 89 FM (antiga Rádio Rock e primeira em SP com uma programação diferenciada), foi lançada em 1985. Antes dela, as rádios daqui tocavam, basicamente: Popzinhos babões (brasileiros e internacionais), clássicos do rock, MPB, música erudita, sertanejo e o estilo que, na época, a gente chamava de “brega”" (Waldick Soriano e afins).

A MTV, por sua vez, só chegou às TVs brasileiras em 1990, em frequência UHF, muito difícil de sintonizar. Eram comuns as reuniões noturnas na casa de alguém onde a MTV pegava. Era tipo um evento.

Nesta mesma época, países como Inglaterra e Alemanha estavam criando uma zorra eletrônica cheia de misturas e experimentalismos. Foi no início da década de 80 - no famoso pós-punk - que nasceram sons como technopop, elektropunk, EBM (Electronic Body Music), industrial e cyberpunk - termo inspirado no livro Neuromancer de William Gibson (1984).

O technopop, que era um som mais “digestivo”, chegou ao Brasil e circulou por quase todas as nossas rádios, TVs e casas noturnas. Não era difícil ouvir por aí os maiores hits do New Order, Depeche Mode e Soft Cell, apesar de que o povo tocava sempre as mesmas músicas, normalmente as que tinham fácil aceitação popular.

Discos importados eram caríssimos e difíceis de achar, não existia mídia digital e muito menos internet na vida das pessoas. Se você quizesse conhecer um som realmente diferente, tinha que frequentar lugares como Madame Satã, Anny 44, Malícia, Rose Bom Bom, Zoster, Cais e Espaço Retrô.

Foi nestes lugares que conheci bandas como Nitzer Ebb, Section 25, Cabaret Voltaire, Liaisons Dangereuses, Pop Will Eat Itself e Cocteau Twins. Se dependesse da mídia, eu não teria escutado nada disso.

Separei algumas músicas aqui, a quem possa interessar. Hoje muita gente já conhece ou, se não conhece, pelo menos tem a chance de ouvir para saber se é legal ou não. Eu, pessoalmente,  ainda gosto delas, apesar das produções meio toscas. 

Nitzer Ebb - Join In the Chant - 1987

Trio londrino criado em 1982. Segundo o integrante Bon Harris (vocal, baixo, guitarra, percussão e programação), o nome é uma colagem de letras e palavras que não quer dizer absolutamente nada (será?).

Section 25 - Looking from a Hilltop - 1984

Banda inglesa formada em 1978. O nome vem de uma cláusula da Lei inglesa: O Ato da Saúde Mental.

Cabaret Voltaire - Nag Nag Nag - 1979

Dupla inglesa que nasceu na Inglaterra em 1973. Mas foi só a partir de 1978, quando eles assinaram com uma gravadora grande, que começaram a aparecer. Cabaret Voltaire era o nome de um clube de Zurique (Suíça), onde borbulhou o Dadaísmo em 1916.

Liaisons Dangereuses - Los Niños Del Parque - 1981

Esta banda foi formada na Alemanha em 1981. O nome (Ligações Perigosas) veio de um famoso romance epistolar (escrito por intermédio de cartas)  do século XVIII, de autoria do francês Pierre Choderlos de Laclos. Não sei se vocês lembram, mas este livro Ligações Perigosas virou um filme.

Pop Will Eat Itself - Wise Up Sucker - 1989

Banda inglesa. Nasceu em 1981 com o nome de From Eden e virou Pop Will Eat Itself (PWEI) em 1986.  O nome veio do título de um artigo escrito na revista inglesa NME.

Cocteaw Twins

Grupo escocês formado em 1979. O nome da banda veio da música “The Cocteau Twims” da banda  “Johnny and the Self-Abusers” (que depois mudou o nome para Simple Minds). Deixo aqui as duas músicas que eu mais gostava, ambas do álbum Treasure. Infelizmente, não encontrei os clipes originais.

Aloysius - 1984 (vídeo de uma fã)

Ivo - 1984 (nenhum vídeo encontrado)

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