postado por Nick Nicks

Na quinta passada eu acesso o UOL e vejo a notícia: MORRE MICHAEL JACKSON.

Primeiro veio o susto. Depois veio aquela desconfiança natural de quem já cansou de ler notícia sem confirmação na primeira página do UOL.

Fui até o Google e digitei “Michael Jackson, morte, dead”. Veio a notícia no site da TMZ - um canal de fofocas que seria capaz de inventar a ressurreição da Dercy Gonçalves. Continuei na mesma.

Um cara da mesa ao lado perguntou incrédulo, em voz alta: o Michael Jackson morreu de verdade? Eu respondi: Bom, ele morreu no UOL, no Twitter e na TMZ. Mas eu só acredito mesmo quando ele morrer na CNN.

Saí do trabalho sem me preocupar muito com o assunto, até porque a Farrah Fawcett Pantera Majors já tinha morrido naquele dia e, portanto, não era dia de chorar pelo Michael Jackson, mas por mais um ícone da minha Sessão da Tarde que, por sinal, tem cada dia menos personagens vivos. Enfim…

Chego em casa e as TVs passam imagens do hospital onde - dizem - o Michael Jackson entrou infartado. Peraí… Infarto????

Naquele momento confirmaram-se as minhas suspeitas de boato. Porque um cara feito o Michael Jackson JAMAIS morreria do coração. Eu teria acreditado se estivessem falando em overdose, suicídio ou de algum outro episódio pop à altura dele, tipo: “Pai de moleque supostamente molestado mata Michael Jackson a tiros em Neverland”.

Infarto aos 50 anos? Ridículo! Michael Jackson morreria tragicamente feito o John Lennon e o Kurt Cobain. Ou bem aos poucos, com aquela preparação que a Dona Morte faz antes de levar alguém muito importante, sabe como? Tipo Tancredo Neves.

Fui dormir ouvindo Don’t Stop Till You Get Enough dentro da minha cabeça, pensando que no dia seguinte esta boataria já teria terminado e que Michael Jackson apareceria em público chacoalhando um filho novo, confirmando a tour Européia e exibindo mais uma cirurgia plástica no nariz.

Ao contrário do que pensei, no dia seguinte o Michael Jackson tinha morrido em todas as mídias. Sem tragédia nem preparação.  Foi no susto, feito descobrir que a adolescência realmente terminou.

Como se não bastasse o fator De Repente, Michael Jackson foi embora de infarto, como se fosse um ser-humano. Como se não fosse aquela entidade do Jackson 5 e do Thriller. Como se logo ali na próxima década fosse nascer outro cara capaz de fazer tanta gente entender o perfeito significado do termo “inesquecível”.

postado por Lina Love

O problema foi que eu fiz análise por 12 anos.

Não é aquela terapia, que dura 2 anos, resolve uma coisa ou outra, te ajuda a perceber umas outras, e corre pro abraço.

A psicanálise é uma história muito diferente. Mexe com as coisas que você esconde de todo mundo, aquelas que fazem você ficar mau humorada por dias e não quer nem saber porque, mas culpa todo mundo por isso.

O mais complicado talvez seja você se dar conta de que a infelicidade e a frustração da sua vida são exclusivamente culpa sua. O que eu digo é que essa é a ficha mais difícil de cair. E muitas vezes ainda me pego querendo me enganar de que os outros não prestam e só causam minha ruína.

É uma escolha muito solitária. Mas me parece muito mais sensata. Acho que as pessoas que escolhem saber um pouco mais de si já tem minha admiração por ter coragem de cavar esse buraco de fora para dentro, essa escuridão que tá dentro da gente.

Eu descobri muitas coisas nesses 12 anos. E muitas vezes eu me recusei a ir até lá enfrentar mais uma vez esses fantasmas. Hoje, depois de já ter saído do processo de me deitar no divã, ainda mantenho meu olhar sobre as obscuridades que vivo.

O processo de olhar para si se mantém. E já não consigo mais me desvencilhar dele. E por isso vivo brigando comigo. Vivo de perceber que sou uma pessoa como as outras, que sofre quando não quer ir trabalhar, que odeia trânsito, que fica cansada de gente chata, que tem ciúme, que tem raiva. O que me deixa feliz é que me encontro com esses sentimentos e eles sempre tem algo novo a me dizer sobre mim e sobre a possibilidade de mudar.

Não importa quantos anos eu tenha, sempre estou atenta aos momentos da necessidade urgente de mudar de caminho, porque senão a vida pára.

E se todo dia eu não viver o sentido de estar viva, eu morro.

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