Meu pai tem 75 anos. Quando ele casou com minha mãe, a maioria das mulheres não trabalhava fora. Sendo assim, como o homem ralava para sustentar a famÃlia, nada mais justo do que a mulher ralar em casa. Na verdade, eram duas pessoas trabalhando em áreas diferentes para o bem comum.
O tempo foi passando, a vida foi ficando mais difÃcil e as mulheres saÃram de casa para ajudar no orçamento. Afinal de contas, uma pessoa só sustentando a casa hoje em dia não é moleza, certo?
O problema é que, apesar de tantas mudanças no mundo, alguns homens ainda vivem como se só eles trabalhassem fora. Dividem a vida com uma mulher que também rala o dia todo, mas ainda acham que ajudar dentro de casa não é obrigação deles. Isto é “coisa de mulher”.
Por que isto acontece? Basicamente, cultura e educação. Mas também tem aquele negócio chamado “folga”. Sabe gente folgada? Pois é. Tem mulher que é folgada e tem homem folgado também.
Tudo bem que esta história de mulher trabalhando fora é recente. Muitas e muitas mães que vocês conhecem não têm uma profissão. E nunca ensinaram aos filhos homens que a casa é uma comunidade, porque isto era natural. Era esta a cultura da época e assim elas passaram para a próxima geração.
Mas, e hoje em dia? Quando na maioria das casas os dois ralam em um emprego de pelo menos 8 horas por dia? Por que não dividir as tarefas cotidianas desta vida a dois? O que justifica uma casa em que a mulher é a única responsável pela organização? Não é a DOIS esta vida?
Muitos caras ainda procuram “mães” e não “mulheres”. Não é vida a dois que eles querem. Eles querem é a vida de alguém dedicada a eles.
Enquanto isto, as mulheres estão procurando cada vez mais “companheiros” e não “filhinhos de mamãe” para cuidar. Um cuida do outro, minha gente! Ninguém mais tem paciência pra cuidar de “criança” com 30 anos na lomba.
Não estou dizendo que os homens precisem aprender a cozinhar. Mas o que existe de tão difÃcil em lavar louça, guardar a comida na geladeira, varrer a casa, colocar o lixo para fora, juntar as roupas do chão, guardar elas no armário? É chato? Ah, isto é. Mas BEM mais chato do que isto é trabalhar em dobro para sustentar a boa-vida de um marmanjo.
Muitas vezes eu escuto por aà a frase: “não se fazem mais mulheres como antigamente”. Pura verdade. Provavelmente, porque antigamente já passou.







