postado por Nick Nicks

Eu não sou mulher de chororô. Mas também não sou o tipo que sai por aí arrotando força e independência. Mentira. Ninguém é completamente independente. Ninguém dá conta do recado sozinho o tempo todo.

De tonta que era, de repente a mulher passou a assumir uma postura que foi tipicamente masculina por séculos e séculos. Aquela história de não demonstrar os sentimentos, segurar o choro, de ser a imagem da fortaleza humana, sabe?  De repente esta virou a imagem da mulher ideal.

Eu acho um saco tudo isso. Mulher Forte, para mim, é um estereótipo tão babaca quanto o da Mulher Frágil. Nenhum discurso de onipotência me convence, seja ele vindo de homens ou mulheres.

Dizem que as mulheres finalmente conquistaram seus direitos. Que direitos? O direito de representar um novo personagem? Porque hoje a mulher “ideal” tem que tirar desilusão de letra, não pode pedir atenção, nem sentir falta da companhia do namorado, nem mencionar insegurança com a própria aparência. Não, isto é coisa de “maricas”.  Nada de externar os próprios sentimentos, ok? Guarde para você, porque assim deve ser a mulher moderna: um homem do século passado.

Engraçado. Saímos de um extremo para o outro. E agora eu canso de ver os caras por aí achando o máximo esta história do Eu Posso Tudo, um discurso tão patético como um adolescente de 15 anos brigando com a mãe. Ao mesmo tempo, tão confortável para quem ainda vive conforme heranças comportamentais baseadas no egoísmo. Ou não é confortável estar com alguém que não precisa de atenção? Mulher que não precisa de atenção é o par ideal para o macho que só faz o que bem entende.

Não acredito em Príncipe Encantado, não fui educada para casar e ter filhos, não fui criada como um bibelô. Mas também não fui ensinada a ter vergonha das coisas que eu sinto, nem de falar sobre elas, por mais idiotas que pareçam, por mais idiotas que realmente sejam. Ninguém me ensinou a ter vergonha de mim.

Durante muito tempo os homens foram orientados a não lidar com as próprias inseguranças. O negócio era ignorar, já que elas não eram importantes. Agora a coisa mudou de lado e ainda por cima é Cool.

Só espero que a humanidade não acabe em silêncio absoluto, na superfície de todas estas coisas aparentemente idiotas. Desculpem, mas não são idiotas. Nada do que uma pessoa sente sobre ela mesma ou sobre o mundo pode ser idiota. Mesmo que seja uma fraqueza enorme.

 

postado por Nick Nicks

“Quem gosta de homem é gay. Mulher gosta mesmo é de dinheiro”. Já ouviu esta frase? 

Vamos começar discutindo este assunto com a história da minha mãe.

Na década de 50 ela entrou na faculdade de Arquitetura. Só tinham 3 mulheres no curso (contando ela) e nenhuma delas terminou. Por quê? Porque mulher querendo fazer carreira profissional era feio. Quase obsceno. E para não contrariar os pais, a sogra, meu próprio pai e toda a sociedade da época, minha mãe largou o curso quando se casou, exatamente do mesmo jeito que as colegas de classe.

Até muito pouco tempo (historicamente falando) as profissões socialmente aceitáveis para mulheres não eram muitas. Professora, enfermeira, costureira, cabeleireira, cozinheira, funcionária de fábrica, secretária, aeromoça… O que mais? Uma tia minha chegou a investir na carreira de artista, mas vocês não têm idéia da fama que ela arrumou por conta disso. E quando meu tio quis casar, adivinha qual foi a condição? Hoje ela é Dona de Casa, como tantas outras daquela época.

Agora, eu pergunto: COMO uma mulher podia garantir o futuro naquela época? Digam pra mim. E não me venham com exemplos de mulheres que enfrentaram o sistema e fizeram carreira ou revolução, ok? Este texto não trata de exceções. 

O que eu quero dizer com tudo isto é que, até muito pouco tempo, a mulher dependia do homem para ter alguma tranqüilidade financeira na vida. E se você fosse mulher naquela época e pudesse escolher entre um cara com dinheiro e um pé rapado, com QUEM você ficaria? Onde você apostaria o futuro dos seus filhos, que eram praticamente obrigatórios?

Sim, as coisas mudaram e hoje uma mulher consegue se virar sem depender financeiramente de um homem. A mudança que a gente vê, no entanto, é só do lado de fora. E DENTRO das pessoas, onde moram os dogmas sociais, até quanto isto mudou realmente? Vocês acham mesmo que a educação dentro dos lares brasileiros não vem com nenhuma mensagem subliminar (ou direta mesmo) baseada nas décadas passadas?

Muitos dogmas sociais ainda persistem sem questionamento e acredito que “casar com um homem que tenha dinheiro” é apenas mais um deles. Sim, existem muheres gananciosas e isto é inegável. Mas também existem os homens gananciosos e, sinceramente, conheço muito mais homens deste tipo do que mulheres. Por que só as mulheres levam a fama de gostar de dinheiro?

Ainda hoje, sem se dar conta, a maioria das pessoas vive de acordo com coisas que foram inquestionáveis por séculos e séculos: mulher tem que casar, mulher tem que ter filhos, homem tem que sustentar a casa, homens não demonstram fraqueza, mulher tem que ser recatada.

Exagero? Ah, tá bom. Então por que a maioria das pessoas fica chocada quando eu digo que não quero ser mãe? E por que as meninas que ficam com vários caras são chamadas de vagabundas? E por que a maioria dos homens que eu conheço não ajuda dentro de casa, mesmo quando os dois trabalham fora? E por que ainda tão poucas mulheres se interessam por política e economia? E por que tantos homens não admitem que uma mulher pague a conta do jantar?

Vou parar por aqui, porque a lista poderia levar uns três dias para ficar pronta. Encerro com ênfase em uma coisa que disse lá em cima: GENTE gananciosa é uma verdade inquestionável. Mulheres gostam de dinheiro é uma afirmação baseada em dogmas e em propagandas idiotas que, por sua vez, também são baseadas no comportamento social da década de 50.

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