(Digam olá para nossa convidada Betty Puppy! Ela é uma amiga da casa e mandou este texto para nós. Hilário! Se quiserem, deixem comentários para ela. Divirtam-se! - Ass.: Nick Nicks)
Tem certos nomes que só pegam bem quando a dona já é adulta há muitos anos. Assumpta, por exemplo. Você é capaz de imaginar o peso que é carregar um nome como esse desde menininha? E Escolástica, então? Vixe, nem se fala!
Eu conheci uma Maria Escolástica na escola quando era criança. Nem a mãe a chamava pelo nome que, ela dizia, tinha sido botado pelo pai – Walfrido, por sinal.
- Maria Escolástica, chamava a professora, caprichando na sílaba tônica. Ah, dito daquele jeito fazia toda a diferença. Pena que no segundo depois que a professora proferia tão imponente nome, a resposta era um grunhido mal nutrido que não combinava em nada com seu nome tão vitaminado.
Sabe aquelas palavras que custam a sair da boca? Era assim que ela falava, como se o nome a sufocasse. Pensa bem, é duro, não é?
Danivalda também não é nome de se botar em criança. É nome de mulher feita. Já para ser chamada de Paschoalina, então, a infeliz já deve ter, no mínimo, uns trinta anos. Mais nova que isso, nem adianta. Quantas crianças padecem por causa dessa norma de os pais terem o direito de escolher o nome de seus filhos & filhas?
Pra mim o nome que o papai & mamãe decidiram devia valer por um tempo, digamos até a dona do nome ter alguma noção do peso extra que vai ter de carregar pelo resto da vida. Ou vocês acham que é fácil ser chamada de Bucetilda sem provocar risinhos na classe?
Na minha opinião, aos 7 anos, no primeiro ano do ensino fundamental, a professora devia preencher um formulário informando se os coleguinhas riram ou não do nome chamado. Quando ingressasse no ensino médio devia acontecer a mesma coisa. Por fim, aos 18, que é quando nós deixamos de ser “de menor” , a gente devia ir no cartório e ratificar o nome recebido na pia batismal. Talvez assim tivéssemos menos Deusas, Vanderléias, Elisabentas, Afonsinas, Delciminas, Felisbinas, Altamirandas, Crislaines, Vaneides, Marcianas, Izaneides, Dagobertas…
Minha tia do interior (que se chama Adalgisa, vejam só!!!), quando começávamos a falar sobre esses nomes maravilhosos e suas conseqüências para seus portadores, como chacotas que acabavam em brigas, lembrava dum causo que entrou pro folclore regional.
Dizia ela que havia uma moça chamada Gersomina Bhosta que detestava seu nome. De tanta confusão que arrumava por causa disso foi aconselhada a mudar de nome. Assim que entrou pra gloriosa Polícia Militar foi aconselhada por um oficial a procurar um cartório e explicar seu problema.
O homem tinha razão. Ela ficou de pensar. E pensou. Enquanto isso, vamos imaginar que ela pudesse alcançar uma alta patente na corporação, o que poderiam pensar nossos soldados sendo comandos por uma Capitã Bhosta, não é mesmo? Assim, no comecinho, enquanto o trâmite da mudança de nome corria, ela passou aquele ano impávida – as piadas entravam por um ouvido e saiam pelo outro.
Algum tempo depois de a petição ter sido aceita, Gersomina foi chamada ao Fórum para dizer como queria ser chamada daquela data em diante. Com a pureza que caracteriza os moças simples, ela proclamou, na frente de testemunhas, com doce suavidade: Lúcia… Bhosta.
Lembra daquela música antiga do Michael Jackson, quando o vampiro dá risada? Ahahahahahahahaha….
(Texto de Betty Puppy)







