postado por Lisa Lips

O que você aguentaria por amor?

Domingo passado, assistindo tv, peguei uma matéria no Fantástico, meio que pela metade, sobre mulheres convivendo com homens que praticamente as tratam como lixo. Aliás é o assunto de uma novela, que eu não assisto, mas faço bem idéia do que se trata e já vi casos semelhantes a minha volta.

O marido ou até namorado, tratando a mulher como idiota, burra, enfim lixo. Alguém que esteja com a auto-estima tão baixa assim, precisa realmente conviver com alguém que a faz sentir-se pior? É uma relação de poder e escravidão, onde a mulher simplesmente vive como que num estado letárgico. Ela acredita que o cara a ame, se engana e continua a conviver com ele.

Isso também acontece com os homens, por já vivenciei certas situações, onde ele simplesmente oferece o mundo para estar ao lado da mulher amada.

Dai eu me pergunto o que acontece? Não culpo o cara ou a mulher que tratam mal seus “amados” pois a culpa também é da pessoa que deixa se levar. Aliás, nem é bom falar em culpa, eu odeio essa palavra, parece uma faca cravada no peito.

Será que conviver com alguém que nunca te diz uma palavra de afeto, nunca te estimula, nunca te acha bonita, é amor? Se a pessoa que está ao seu lado, é tão desprezível, porque não cai fora? Medo de achar algo pior? Sensação de poder? Jeito de manter a pessoa ao seu lado, afinal, ela ou ele devem ter seu charme e podem achar um ricardão ou ricardona por ai. Então você coloca ela pra baixo, pra ela pensar que não tem qualidades?

Tolerância é essencial numa relação, pois cada indivíduo deste planeta, tem defeitos. Nós temos os nossos limites de individualidade, como já falei várias vezes. Qual o limite de cada um dentro de uma relação?

Além dos limites, o que faz uma pessoa se ligar a outra e se submeter a torturas verbais e muitas vezes físicas também? Que amor é esse que você entrega toda a sua individualidade para um ser que não tem idéia do valor que você tem?

Ninguém em sã consciência, se doa assim. Você tem qualidades necessárias para o todo existir. Sem você, o todo desequilibra, então, não se anule. NInguém merece que você se doe deste jeito. Ele ou ela vão te amar pelo que você é. Se você se anular, como vão te amar? Aliás, Você precisa se amar primeiro, não?

Já vi esta cena, um casal, com 30 e tantos anos de casados. A mulher com 4 filhos, trabalhando numa casa imensa, acordando as 6 da manhã para varrer a calçada, fazer o café e acordar todo mundo. Sem empregada, tendo que fazer todo o serviço doméstico, para depois receber “patadas verbais” do marido, que chega em casa na hora do almoço, querendo sua comidinha pronta no prato. Ele come como um animal, sai da mesa e nem leva o prato para a pia. Se ela serve lasanha, ele reclama, cadê a salada, o arroz, a carne? Então ela trabalha em regime de restaurante estilo bufê. E a sobremesa? todos os dias ela deve fazer um doce. Não serve bombom ou goiabada com queijo, precisa ser pudim, mousse e o diabo a quatro. Ela fez só o primário, então tem pouca cultura. É sábia de vivência, mas acha que a África é uma capital. Então ele zomba dela. Nós todos zombamos, pois ela é burra. Ela não merece, pois casou-se cedo, teve um filho atrás do outro, uma gravidez difícil. Não teve tempo para estudar. Tudo bem não é desculpa, mA quanta gente por ai tem uma vida desgraçada? Zombar faz parte da nossa inteligência, afinal somos superiores? Quem disse? Sabedoria não é sinônimo de cultura, mas de vivência. Ela criou os 4 filhos e hoje eles são seres humanos muito bacanas.

A inteligência nos dá a razão, mas a paixão é capaz de anular completamente esta razão. Um ser apaixonado é capaz de tudo. Só inteligência não é o suficiente. Eu digo que tudo é uma questão de caráter. Aquela pessoa firme, dona de si, que conhece seus limites, mesmo que não tenha cultura, jamais se deixaria levar por uma situação de escravidão. Primeiro ela vive com ela mesma, ela é sua melhor amiga ou melhor amigo. Depois vamos conviver com outra pessoa e eu ressalto “conviver”. Se sabíamos viver antes sem essa pessoa, podemos viver sem ela, caso a “convivência” faça mal.

Sobre o Amor

31.mai
2008
postado por Nick Nicks

Este texto eu escrevi há alguns anos no dia primeiro de abril, o famoso Dia da Mentira. Mas hoje eu li um post no blog do Carlos chamado Doença de Amor e lembrei dele. Achei a visão parecida.  Obrigada ao Carlos do Guardião por me trazer esta lembrança. 

Primeiro de Abril

O amor é uma espécie de perturbação meio absurda que domina a alma dos distraídos - evidentemente tipos fracos e fantasiosos, influenciados por uma laia de românticos que cultiva a demência em prosa, verso, papel-de-carta colorido, Meg Ryan e bom-bom de chocolate.

Devidamente intoxicados, os fanáticos sucumbem. Eros é um duende vermelhinho que vende maçãs na bilheteria da roda-gigante e troca sua sanidade por sonhos de perfeição - delírios nauseabundos esculpidos em torrões de açúcar queimado e calda de caramelo puxa-puxa.

Quem ama perdoa, cede, entende, doa, aceita, acredita, cuida, fala fino, faz biquinho - é um nojo. E a lambança se derrete em babas de moças e moços que se esparramam por aí melecando a vida com juras totalmente incoerentes.

Todo idiota que ama é um mentiroso compulsivo. Inclusive eu.

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