Não fomos criados para perdoar a traição. Não faz parte da educação e nem da cultura brasileira. Apesar disso, conheço muita gente que já perdoou uma traição e hoje continua bem, junto de quem ama e muito feliz. InadmissÃvel? Fraqueza de quem perdoa? Quem somos nós para julgar o que uma pessoa decide para a vida dela? Quem somos nós para saber o que está em jogo? A verdade não tem dono e ninguém conhece melhor uma dor do que a própria pessoa que sente.
Algumas pessoas dizem que “quem trai uma vez, trai sempre”. Será? É tão simples assim?  Alguém que sempre foi correto(a) e justo(a) não tem o direito de perdão neste caso? Porque é tão difÃcil considerar que brigas, diferenças, tédio sexual, falta de papo e falta de experiência são capazes de levar alguém a fazer uma bobagem? Não acredito que toda traição seja simplesmente um ato de safadeza. Existem muitas coisas envolvidas em cada caso, e cada caso é uma história.
Os casos de perdão que eu conheço foram todos baseados em 3 coisas comuns: longo tempo de relacionamento, muita intimidade entre as duas partes e amor. Amor? Sim, o amor ainda existia dos dois lados. O ato foi puramente fÃsico e egoÃsta. O amor pode ser perfeito para os anjos, mas nós somos humanos e o nosso amor também erra. Até mesmo o amor de pais para filhos, considerado o mais puro que existe, pode ser egoÃsta e possessivo.
Não estou aqui defendendo a traição, veja bem. Nunca traà um namorado. Estou apenas levantando uma questão que a maioria das pessoas nem cogita em questionar. Ninguém admite. Quando o papo é traição, simplesmente dizemos “não tem perdão”. Mas pouca gente se pergunta porquê. Porque somos tão inflexÃveis para perdoar neste caso? Â
Quando penso nisso, alguma coisa dentro de mim diz que uma traição é algo imperdoável. Seja ela qual for. Porque fere a minha confiança e depois disso vai ser difÃcil reconstruir. No entanto, se eu revirar meu passado, lembrarei de tantas vezes que perdoei quando confiei em alguém e me senti traÃda por algum motivo.  Pediram desculpas e eu disse sim. A única diferença é que não eram meus namorados. Não eram MEUS.
E se meu namorado me traÃsse? Não, eu não perdoaria. Não conseguiria. Mas ao invés de considerar as pessoas que perdoam como tontos e idiotas, considero como pessoas melhores do que eu. Porque depositaram mais um voto de confiança no amor, apesar das fraquezas humanas.







