De hoje em diante, quem visitar o blog, verá alguns artigos referentes a personalidades femininas que fizeram história. Não estarão em ordem cronológica e nem todas serão referentes a mulheres brasileiras. A intenção destas pequenas biografias, é informar grandes feitos, por vezes esquecidos, mas de grande inspiração, não só para as mulheres.
Bertha Maria Júlia Lutz (Bertha Lutz) - 1894 a 1976

Bertha Lutz era paulistana filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro Adolfo Lutz. É conhecida como a maior lÃder na luta pelos direitos polÃticos das mulheres brasileiras e foi ela quem garantiu o direito ao voto pelas mulheres.
Bertha foi educada na Europa e foi na Sorbonne (França) que ela formou-se como Bacharel em Ciências (Ciências Naturais). Em 1918 retornou ao Brasil, ingressando no Museu Nacional, através de concurso público, sendo a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro.
Neste mesmo ano, um jornal carioca publicou um artigo dizendo que o Brasil não sofreria nenhuma influência pelos direitos feministas defendidos na Inglaterra. Bertha que já havia tido contato com as lutas feministas na Europa e Estados Unidos, ficou indignada com tal artigo e em seguida iniciou seus esforços para lutar pelo voto feminino no Brasil. Bertha tinha na época 24 anos e era também advogada. Formou-se então um movimento de luta pelos direitos femininos.
Em 1919, com o apoio de outras mulheres, Bertha criou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, e esta Liga, gerou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, com a sigla FBPF, a qual também foi fundada por Bertha.
Durante sua luta pelo direito ao voto feminino, Bertha representou as Brasileiras, na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, sendo eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Somente 10 anos depois dela ingressar na Liga, é que, por decreto-lei, em 1932, Bertha viu o Presidente Getúlio Vargas aprovar o novo Código Eleitoral contendo o direito de voto para as mulheres.
Em 1936, após duas tentativas de ingressar na polÃtica, Bertha assumiu a cadeira de deputada na Câmara Federal, atuando através de propostas de mudanças na legislação, referentes ao trabalho da mulher e do trabalho infantil, tais como: licença das gestantes, redução da jornada de trabalho, igualdade salarial e outros.
Em 1937, com a entrada da Ditadura e o fechamento das casas legislativas, Bertha perde o mandato e entra como chefe de botânica do Museu Nacional, aposentando-se deste, em 1964. Apesar de atuar na polÃtica, jamais se afastou da ciência, marcando assim sua vida, com inúmeras descobertas cientÃficas, em especial, na área de zoologia (anfÃbios anuros).
Seu último ato público em defesa da mulher, foi em 1975, no Ano internacional da Mulher, realizado na capitaldo México.
Bertha também foi incansável na luta pela preservação do grande espólio deixado pelo pai, Adolfo Lutz, delegando até um testamento à poseridade, para realizar a materialização dos seus projetos em manter o trabalho do pai.