postado por Kitty Messy

Semana passada fui surpreendida por dois acontecimentos praticamente idênticos. Um deles teve uma super repercussão e o outro ficou só no conhecimento da minha família.

O que causou furor em toda a internet foi o vídeo da última edição do Britain´s Got Talent (algo como o programa Ídolos), com a simpática senhora  Susan Boyle. A platéia do programa fazia caretas e piadinhas quando Susan apareceu. E por quê? Porque ela era simples, não tinha a aparência que um pop star deve ter. A parte do vídeo que me deixou mais fula da vida foi ver a fuça de uma adolescentezinha tirando sarro da senhora. Garanto que a cara dela caiu quando a ouviu cantar (Tentei colocar o vídeo aqui, mas está proibido. Para ver, clique aqui).

O que ficou no meu mundinho foi o que aconteceu com meu tio. Um homem muito simples, mora no meio do mato e é super feliz assim. Não precisa de luxo, embora ele pudesse ter muito. Gerente de banco aposentado, formado em artes plásticas e já deu aula de fotografia. Enfim, um cara muito interessante e curioso a respeito do mundo em que vive.

Pois bem, meu tio foi comprar uma calça. E foi do jeito dele, super simples como sempre. Só que entrou numa loja cara. A vendedora perguntou o que ele queria, e ele pediu alguns modelos que tinha visto na loja. Antes mesmo da mocinha trazer as calças, ela perguntou: “Mas o senhor vai comprar mesmo, tem certeza? É caro, hein?”

AH! É O FIM! Gostaria de saber quando as pessoas vão se tornar menos estúpidas e mais humanas. É claro que todo mundo quer ser aceito. Só que quem disse que precisamos ser todos iguais? Quem disse que medimos o valor das pessoas pelas aparências? Se for assim, seremos tão parecidos e vazios que não teremos mais nada a aprender. Não teremos mais a emoção de descobrir o novo. Não teremos mais a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Será tudo igual. Vazio e sem graça.

Sistema de cotas

1.abr
2009
postado por Kitty Messy

Num dos últimos posts, falei sobre cor de pele e os preconceitos que rondam em torno das pessoas com cores “extremas”. Lembro de ter comentado que cor de pele não faz diferença no que a pessoa realmente é. Mas para o governo, faz diferença sim.

Encontrei uma amiga da minha mãe e entre uma conversa e outra, ela me disse que sua filha não passou no vestibular mais uma vez. Eu conheço a menina. De família humilde, sempre estudou em escolas do governo e ralou pra caramba pra ser uma aluna exemplar. A menina é uma enciclopédia ambulante. Ou melhor, o Google ambulante. E pode não fazer sentido agora para você, neste parágrafo, mas ela é loira.

Pois bem, a menina não passou no vestibular. Não sei quantos pontos era pra ela ter feito, mas suponhamos que tenha feito 80 pontos. Um outro cidadão fez 70. E por incrível que pareça, ele passou. Ah, ele é negro.

Sei que a intenção do governo pode ser boa em adotar esse sistema de cotas; o que eles pregam é que os negros precisam entrar no mercado. Agora, me digam: Desde quando um negro tem menos capacidade que um branco pra fazer uma faculdade? Desde quando ele tem que ganhar uns pontos de esmola para poder passar na frente de um branco?

Bom, se eu fosse negra não ficaria contente com essa resolução. Na minha opinião, é um racismo velado. Eu gostaria de poder passar pelos meus próprios méritos, não precisando de caridade. E qualquer um pode passar com a sua própria inteligência, sem precisar tirar pontos de quem se esforçou mais.

Tenho um grande exemplo na família, meu pai. Já passou fome, frio, não tinha dinheiro para nada. Mas se esforçou, ia pra escola, escrevia em papel de pão as lições e hoje é um brilhante médico formado pela USP.

Posso estar errada em relação a isso, mas é o que penso. Acho que nada vem pra gente sem esforço, sempre temos um preço a pagar. E se vier, desconfio muito, no final nunca dá certo.

postado por Kitty Messy

Nada melhor do que “a minha pessoa” para falar sobre cor da pele. Imaginem alguém branco. Agora imaginem esse alguém branco depois de um banho de água sanitária e OMO. Esse sou eu. Ou melhor, essa sou eu.

Agora imaginem um dia de calor fortíssimo, onde tudo o que desejo é usar saia e regata para não morrer derretida. Agora imaginem essa pessoa BRANCA, com saia e regata. Agora imaginem uma platéia extremamente brasileira e morena me observando. O que essas pessoas diriam, podem imaginar os comentários, certo? Vai desde “Nossa, porque você não toma um sol?” até “Afe, vou colocar uns óculos porque você está irradiando luz!”.

Aí, pergunto eu: Em qual livro está escrito que devemos ter determinada cor ou ser de determinado tipo físico? Bom, alguém me ajude, porque se essa leitura for obrigatória, vou repetir o ano. Ou alguém avise papai do céu para me pintar, porque só ele faz milagres.

Além de toda a sorte de piadinhas que já ouvi, este último feriado vi uma coisa na TV que me deixou irritadíssima. O programa era aquele da GNT, com a apresentadora Taís Araújo (que por sinal, é uma negra lindíssima, e ela seria linda com qualquer cor de pele). O especial se chamava “Verão – Branquinhas”. Fiquei animadíssima quando vi o nome do programa, porque raramente se vê algum especial para meu tipo de pele.

Só que peguei o finalzinho. Apareceu a Camila Morgado (branquinha e loirinha) dizendo quais suas dicas para não torrar ao sol e também contando sobre algumas situações desagradáveis que passou por causa do seu tom de pele. Logo após a atriz ter aparecido, entra uma outra, que não é muito conhecida, nem me lembro o nome. Aí ela conta à apresentadora que ela não tem dificuldade em ficar dourada, só prefere se ver no espelho mais branca, que fica mais bonita assim. A apresentadora arregalou uns olhões e deu a entender, em suas palavras, que a menina só podia estar doida de pensar assim. E que ainda bem que ela pensava assim, senão não teria pra ninguém, de tão linda que já era, imagine morena.

Fiquei pasma ao ver que a opinião da apresentadora, que até então estava dando dicas legais para as mais claras, deixou escapar um certo espanto ao ver que alguém gosta de ser branca ou também que está cheio de gente por aí que admira a pele clara. Bom, se ela não gosta, deveria ter guardado para ela. Ficou feio, viu, Taís?

postado por Lisa Lips

Ontem dia 10, foi celebrado o primeiro casamento gay no Brasil. Primeiro, pois os noivos assinaram um documento (contrato de parceria) oficializando a parte civil do enlace. A parte religiosa, foi orientada pelo candomblé.

Ao procurar sobre o ocorrido na internet, li muitas críticas negativas, do tipo ” se a moda pega “. Qual o problema? Se as pessoas se amam e querem viver unidas, oficializando um documento, não há nada de errado. Não creio que este fato vá machucar ninguém e nem tornar-nos todos homossesuais, transexuais ou sei lá mais ou que. Cada um é do jeito que gosta de ser e não temos que criticar. Vamos olhar para o nosso umbigo mal lavado e nos tornar pessoas melhores, para que assim, possamos “enxergar” e “compreender” o verdadeiro amor.

Tudo bem, é a minha opinião. Não sei se é a certa, mas é a que eu tenho e ofereço neste momento. Só tenho que aplaudir a coragem e a vontade de estar juntos, digam o que disserem. Temos o preconceito, vindo de sei lá onde, contra muitas coisas bem piores. Preconceitos de cor de pele por exemplo. É de tal forma monstruoso, que chegamos a nos achar os bam bam bans do mundo. Não sou melhor do que ninguém, sou necessária sim, mas isso não me dá o direito de julgar a vida dos outros.

Certas irregularidades são tão comuns hoje em dia, parecem menos importantes, mas são bem “cabeludas”. Casar por interesse, manipular e enganar, trair e outras coisinhas são bem piores.

Esse dois são pessoas como nós, querem ser felizes como nós e não temos nada que enfiar o dedo no bolo deles. Vamos lavar nosso umbigo fedido primeiro antes de fazer qualquer comentário. Eu lavei o meu e você?

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