Vamos lá: quando estou sozinha, quero namorado, quando tenho namorado, quero ficar sozinha.
Simples, né?
Bom, estava eu a conversar com um amigo outro dia quando chegamos à conclusão de que o relacionamento é quase uma religião à qual você se apega. Você tem fé o tempo todo, você faz os rituais, você cede, você agradece, você recebe em troca e você aquieta seu coração (algumas vezes), e outras vezes você questiona tudo e pára prá pensar no que está fazendo. Pensa se está certo, se está errado, leva em consideração a moral e os bons costumes, e quando não leva, pára e pensa se tá indo tudo bem, além disso, amor cura. Quando você está doente, o amor faz você se sentir melhor. Ou então ele faz você sair correndo atrás de cura, o que te leva à cura do mesmo jeito.
Tá. E os ateus? Como eu? O que a gente faz?
As conversas que tenho com esse amigo raramente chegam a alguma conclusão. E por isso a gente é amigo a tanto tempo e por isso, sempre temos assunto. Porque eles voltam e de novo não chegamos a nenhuma conclusão.
Com o tempo eu evolui muito nessa história de relacionar. Mas a minha evolução foi para o lado da ‘aceitação’. Eu aceito viver na dubiedade (existe isso?) da vida. Eu aceito que tem dia que eu quero tudo e no dia seguinte não quero mais nada. Eu aceito que eu quero ser música, artista plástica e escritora e que não vai dar tempo de ser tudo isso trabalhando 14 horas por dia.
Eu aceito que caio na rotina com o homem que eu amo e que por isso à s vezes penso em abandoná-lo. Eu aceito que no dia seguinte a isso, eu olho prá ele e para as coisas que construÃmos com um carinho tamanho que nada nesse mundo me faria largá-lo.
Eu aceito, mas isso não me ajuda, em nada. Isso me faz ser a angústia em pessoa, muito prazer.






