Tem um monte de casal por aí que diz que terminou por causa da rotina. Mas peralá!
Rotina não é ruim. Muito pelo contrário, é super saudável. Por exemplo, toda manhã, assim que acordo, eu brinco com meus gatos, limpo sua caixinha de areia, dou água e comida. Isso também afeta a rotina deles, que estranham caso eu saia do quarto e não coce suas barriguinhas. E isso é muito bom! É como uma fonte que a gente sabe que não vai secar. É confortável, traz tranqüilidade, parece que as coisas estão no lugar que deveriam estar.
Agora, se você se sente amarrado a isso, como se a situação fosse sufocante, aí é porque, normalmente, virou monotonia. Isso sim, incomoda, e pra caramba. Ter que fazer tudo sempre igual e de maneira chata.
Antes de sair culpando a si mesma e qualquer pessoa, que tal analisar bem a sua relação com a família, os amigos, o companheiro, com o universo, para ver se realmente as coisas tornaram-se “chatas” por causa do passar do tempo ou se simplesmente sua opinião mudou? Se sua opinião mudou, por que isso aconteceu? E se aconteceu de fato, o que deve fazer para melhorar isso?
Certo?
Vamos lá: quando estou sozinha, quero namorado, quando tenho namorado, quero ficar sozinha.
Simples, né?
Bom, estava eu a conversar com um amigo outro dia quando chegamos à conclusão de que o relacionamento é quase uma religião à qual você se apega. Você tem fé o tempo todo, você faz os rituais, você cede, você agradece, você recebe em troca e você aquieta seu coração (algumas vezes), e outras vezes você questiona tudo e pára prá pensar no que está fazendo. Pensa se está certo, se está errado, leva em consideração a moral e os bons costumes, e quando não leva, pára e pensa se tá indo tudo bem, além disso, amor cura. Quando você está doente, o amor faz você se sentir melhor. Ou então ele faz você sair correndo atrás de cura, o que te leva à cura do mesmo jeito.
Tá. E os ateus? Como eu? O que a gente faz?
As conversas que tenho com esse amigo raramente chegam a alguma conclusão. E por isso a gente é amigo a tanto tempo e por isso, sempre temos assunto. Porque eles voltam e de novo não chegamos a nenhuma conclusão.
Com o tempo eu evolui muito nessa história de relacionar. Mas a minha evolução foi para o lado da ‘aceitação’. Eu aceito viver na dubiedade (existe isso?) da vida. Eu aceito que tem dia que eu quero tudo e no dia seguinte não quero mais nada. Eu aceito que eu quero ser música, artista plástica e escritora e que não vai dar tempo de ser tudo isso trabalhando 14 horas por dia.
Eu aceito que caio na rotina com o homem que eu amo e que por isso às vezes penso em abandoná-lo. Eu aceito que no dia seguinte a isso, eu olho prá ele e para as coisas que construímos com um carinho tamanho que nada nesse mundo me faria largá-lo.
Eu aceito, mas isso não me ajuda, em nada. Isso me faz ser a angústia em pessoa, muito prazer.