A palavra do ano é sustentabilidade.
Existe faz tempo, já era citada aqui e ali por alguns bem intencionados, mas foi só neste ano que ela realmente ficou popular.
Hoje todo mundo fala em sustentabilidade. Bancos, supermercados, o setor farmacêutico, a indústria alimentÃcia, o pessoal da telefonia, emissoras de TV. Parece que de repente o mundo acordou Obama. Todo mundo querendo revolucionar.
Apesar de estar em tudo que é discurso polÃtico e propaganda, a tal da sustentabilidade está longe de ser uma verdade cotidiana. Por enquanto, o que a maioria das empresas (e pessoas) sustenta de verdade, são pensamentos nascidos na Revolução Industrial.
Um destes pensamentos velhos envolve a presença fÃsica nas empresas. A maioria dos brasileiros precisa entrar e sair nos mesmos horários todos os dias. São milhões e milhões de pessoas circulando pelas ruas de carro, ôbibus, táxi, lotando metrôs e trens, alimentando o famoso “rush” de manhã e no fim da tarde.
Minha pergunta é: todas estas pessoas precisam estar de corpo presente na empresa?
Hoje nós temos computadores de mesa e laptop, conexão rápida com e sem fio, telefone fixo e móvel, webcam e uma infinidade de sistemas para trocar arquivos. Com tudo isto e mais um monte de tecnologias disponÃveis, você vai dizer que não dá pra ninguém trabalhar em casa? Mesmo que sejam 2 dias por semana? Eu mesma poderia trabalhar em casa quase todos os dias e no entanto sou obrigada a marcar presença.
As empresas alegam que os funcionários ficariam vendo TV ao invés de trabalhar. Ah é?… Pois que mandem pra rua quem não cumprir seus prazos. Ou pensem em outras soluções. Pensem! Na verdade, o problema não está nas pessoas em casa, nem nas possÃveis reuniões, mas no medo. Todo mundo fala em mudança, mas quase ninguém tem coragem de mudar.
Outra prática insustentável é a diferença absurda de salários em algumas empresas. Enquanto alguns gerentes ganham muito, outros profissionais do mesmo departamento ganham quase nada. O que acontece? Os profissionais evoluem e caem fora. E estas empresas mantem gerentes administrando equipes eternamente inexperientes, pois quando um profisssional começa a evoluir, precisa cair fora para ganhar melhor. (E depois o governo precisa da MINHA grana pra cobrir o buraco de empresas que insistem nesta administração ultrapassada. Isto realmente me deixa MUITO brava. Mas, enfim…)
Insustentável também é a prática de contratar e promover profissionais por amizade, simpatia ou polÃtica. Marketing Pessoal não resolve problemas de incompetência, assim como o marketing de campanha não salva um produto ruim. E quem paga por estes profissionais que chegaram no topo por R.P. é a própria empresa, perdendo bons profissionais e, por consequência, perdendo dinheiro e a própria imagem.
Não vou citar todas as práticas insustentáveis do mercado de trabalho, porque eu ficaria aqui escrevendo até o mês que vem. Vou parar por aqui imaginando que, seja por bem ou por mal, estas práticas velhas serão vencidas. Porque, assim como a natureza dá o troco, o mercado também vai dar. Ou já está dando e nós não percebemos?







