postado por Nick Nicks

Até ontem mesmo eu estava péssima por causa do trabalho. Chorei, discuti com algumas pessoas, perdi o sono, deixei de sair com meu namorado porque estava chateada.

Hoje, às 5 da tarde, minha irmã ligou dizendo que meu pai estava na UTI do INCOR (Instituto do Coração aqui de São Paulo). Desliguei o telefone, juntei as coisas e saí correndo. Larguei tudo do jeito que estava sem pensar duas vezes e sem dar a mínima para a situação em volta de mim. 

Em questão de 15 segundos, que foi o tempo da ligação, o stress profissional perdeu a importância na minha vida. De um “problema” que tirou meu sono, de repente ele virou uma mera futilidade cotidiana.

Infelizmente, não é a primeira vez que isto acontece com meu pai. E infelizmente também, estes recados que a vida manda nunca são suficientes para mostrar o quanto a gente se preocupa com coisas idiotas.

Eu poderia ficar dois dias aqui falando sobre o que realmente importa nesta vida e não adiantaria nada para quem está puto com algum amigo ou com a profissão. Da mesma forma, quando o dia de hoje se ver longe de mim, eu também vou esquecer, mais uma vez, do real significado das coisas.

A massacrante maioria das pessoas, assim como eu, precisa doer para sentir o valor das coisas. Ao mesmo tempo, parece que a Dona Dor é uma péssima professora, porque nenhuma lição é o bastante para que a gente realmente aprenda, nem serve de exemplo para outros alunos.

Se Deus fez o homem conforme sua imagem e semelhança, ele deve ser um cara masoquista.

postado por Lina Love

O problema foi que eu fiz análise por 12 anos.

Não é aquela terapia, que dura 2 anos, resolve uma coisa ou outra, te ajuda a perceber umas outras, e corre pro abraço.

A psicanálise é uma história muito diferente. Mexe com as coisas que você esconde de todo mundo, aquelas que fazem você ficar mau humorada por dias e não quer nem saber porque, mas culpa todo mundo por isso.

O mais complicado talvez seja você se dar conta de que a infelicidade e a frustração da sua vida são exclusivamente culpa sua. O que eu digo é que essa é a ficha mais difícil de cair. E muitas vezes ainda me pego querendo me enganar de que os outros não prestam e só causam minha ruína.

É uma escolha muito solitária. Mas me parece muito mais sensata. Acho que as pessoas que escolhem saber um pouco mais de si já tem minha admiração por ter coragem de cavar esse buraco de fora para dentro, essa escuridão que tá dentro da gente.

Eu descobri muitas coisas nesses 12 anos. E muitas vezes eu me recusei a ir até lá enfrentar mais uma vez esses fantasmas. Hoje, depois de já ter saído do processo de me deitar no divã, ainda mantenho meu olhar sobre as obscuridades que vivo.

O processo de olhar para si se mantém. E já não consigo mais me desvencilhar dele. E por isso vivo brigando comigo. Vivo de perceber que sou uma pessoa como as outras, que sofre quando não quer ir trabalhar, que odeia trânsito, que fica cansada de gente chata, que tem ciúme, que tem raiva. O que me deixa feliz é que me encontro com esses sentimentos e eles sempre tem algo novo a me dizer sobre mim e sobre a possibilidade de mudar.

Não importa quantos anos eu tenha, sempre estou atenta aos momentos da necessidade urgente de mudar de caminho, porque senão a vida pára.

E se todo dia eu não viver o sentido de estar viva, eu morro.

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