O primeiro passo é sempre o mais difÃcil. Tantas, tantas opções. No intervalo entre o “sim” e o “não”, há tantos talvez… Mas, como ensinou o poeta Pablo Neruda, escrever é fácil: basta começar com uma maiúscula, terminar com um ponto final e colocar algumas idéias no meio.
Que assim seja! Para dar a bênção inicial, pego emprestados alguns versos da maravilhosa Adélia Prado.
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Boa sorte para todas nós.





















